Cadernos de Saúde Pública (CSP)
Mulheres afrodescendentes e indígenas possuem acesso limitado a contraceptivos devido a barreiras contextuais, desaprovação dos parceiros e lacunas educacionais. Um dos desafios na elaboração de políticas para facilitar o acesso a métodos contraceptivos seguros, eficazes, aceitáveis e acessíveis entre esses grupos é a falta de informações para a tomada de decisões informadas pelas esferas locais e federais de governo. Para preencher essa lacuna de informações, propomos a utilização da estimativa de pequenas áreas (EPA), focando em grupos populacionais e étnicos, em vez de áreas geográficas. Estimamos quatro indicadores para mulheres em nível estadual por grupo étnico: necessidade não atendida de planejamento familiar, necessidade de planejamento familiar atendida, taxa de prevalência de contracepção e taxa de prevalência de contraceptivos modernos. Obtivemos estimativas consistentes usando a EPA, com erros quadráticos médios majoritariamente inferiores a 1% dos valores estimados, tanto no nível estadual quanto no de grupos étnicos. As taxas de prevalência de contracepção entre mulheres indígenas, afrodescendentes e não-étnicas (que não se identificam com um grupo étnico) foram, respectivamente, 70,6%, 76,6% e 81,7%. Descobrimos que o menor uso de contraceptivos não é determinado pela etnia. Observou-se que estar em um relacionamento aumenta a probabilidade de uso de contraceptivos. No entanto, quando mulheres afrodescendentes e indígenas têm parceiros do mesmo grupo étnico, o que é mais comum, a probabilidade de uso de métodos contraceptivos é menor. Assim, abordar disparidades no uso de contraceptivos entre grupos étnicos requer iniciativas governamentais envolvendo tanto os parceiros das mulheres como as comunidades que estão inseridas.
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10.1590/0102-311XEN038024
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