Cadernos de Saúde Pública (CSP)
Este estudo teve como objetivo identificar padrões de abuso e negligência infantil e examinar as associações entre esses padrões e o sofrimento psicológico durante a adolescência. Um inquérito de base escolar foi conduzido com 693 estudantes do Ensino Médio no Rio de Janeiro, Brasil, entre 2016 e 2017. A análise de classes latentes foi utilizada para identificar padrões de abuso e negligência infantil com base na combinação de itens do Questionário sobre Traumas na Infância. O sofrimento psicológico foi aferido por meio do Questionário de Saúde Geral (GHQ-12). Modelos de regressão linear múltipla foram empregados para examinar as associações entre os padrões de abuso e negligência infantil e o sofrimento psicológico. Três classes de abuso e negligência infantil foram identificadas para ambos os sexos: (1) violência emocional leve e punição física; (2) maus-tratos emocionais, punição física e negligência; e (3) polivitimização. Pertencer à classe de polivitimização associou-se significativamente a um maior sofrimento psicológico, tanto em meninos quanto em meninas. A classe caracterizada por maus-tratos emocionais, punição física e negligência associou-se de forma significativa ao aumento do sofrimento psicológico apenas entre as meninas. Os serviços de saúde e de educação devem rastrear o abuso e negligência infantil ao atender adolescentes que apresentam sofrimento psicológico, uma vez que muitos podem vivenciar múltiplas formas de vitimização. A alta prevalência da classe de polivitimização na infância e sua forte associação com o sofrimento psicológico evidenciam a necessidade urgente de estratégias intersetoriais voltadas à mitigação do abuso e negligência infantil.
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10.1590/0102-311XEN185425
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