Cadernos de Saúde Pública (CSP)
A infecção pelo vírus da hepatite C permanece como uma das principais causas de doença hepática crônica no mundo, afetando mais de 70 milhões de pessoas, muitas das quais permanecem sem diagnóstico ou tratamento. No Brasil, o Rio Grande do Sul apresenta a maior taxa de detecção de hepatite C, ressaltando a necessidade de estratégias coordenadas para alcançar a eliminação até 2030. Apesar da disponibilidade de terapias antivirais altamente eficazes, o subdiagnóstico e as barreiras para o início do tratamento persistem. Este estudo teve como objetivo estimar a proporção de indivíduos diagnosticados que iniciaram tratamento e identificar fatores associados à não iniciação. Uma coorte retrospectiva incluiu todos os casos de hepatite C diagnosticados em 2022-2023 e notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). O início do tratamento foi verificado no Sistema de Controle Logístico de Medicamentos para Hepatites Virais (SICLOM-HV). Foi realizada vinculação probabilística de registros para integrar os bancos de dados e avaliar fatores associados à não iniciação do tratamento. Entre os 2.671 indivíduos diagnosticados, 64,9% iniciaram o tratamento, com mediana de 104 dias entre o diagnóstico e o início. A análise multivariada mostrou menor início entre indivíduos negros em comparação aos brancos (OR ajustada = 1,41; IC95%: 1,02-1,93) e entre aqueles com 0-39 anos em comparação a 50-59 anos (OR ajustada = 0,68; IC95%: 0,49-0,96). Diferenças regionais, coinfecção por HIV e variáveis clínicas também afetaram a iniciação. A cobertura de tratamento no Rio Grande do Sul permanece abaixo das metas de eliminação. Disparidades persistentes por raça, região e coinfecção destacam a necessidade de estratégias direcionadas para garantir cuidado equitativo e acelerar a eliminação da hepatite C.
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10.1590/0102-311XEN233025
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