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Exposição a agrotóxicos e o desenvolvimento da doença de Parkinson: uma revisão sistemática de estudos brasileiros

Cadernos de Saúde Pública (CSP)
A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais prevalente globalmente. A etiologia da doença de Parkinson não é totalmente compreendida; acredita-se que seja uma doença multifatorial. A exposição a agrotóxicos é destacada entre os fatores. Assim, por meio de uma revisão sistemática, este estudo teve como objetivo analisar a relação entre a exposição a pesticidas e o desenvolvimento da doença de Parkinson no Brasil. A revisão foi conduzida de acordo com a metodologia PRISMA e o processo PICOS, utilizando as bases de dados PubMed, Web of Science e a Biblioteca Virtual em Saúde. Os critérios de inclusão foram estudos observacionais, realizados em humanos, com foco na população brasileira, investigando a relação entre a exposição a agrotóxicos e o desenvolvimento da doença de Parkinson. A qualidade dos estudos foi avaliada utilizando o checklist de Hawker. Um total de 85 publicações foi identificado para avaliação de elegibilidade, e 12 estudos foram incluídos na síntese qualitativa; dois foram classificados como de baixa qualidade, nove como de qualidade moderada e apenas um apresentou alta qualidade. Ao todo, 11 estudos indicaram uma associação entre a exposição a agrotóxicos e o aumento da ocorrência de doença de Parkinson na população brasileira. Além disso, essa associação foi mais prevalente na presença dos seguintes fatores: (i) polimorfismo de nucleotídeo único IVS1-7 A→G do gene PINK1, (ii) variações na expressão do gene e da proteína da enzima glutationa S-transferase, (iii) exposição ocupacional, (iv) residência em área não urbana, (v) baixo nível educacional e (vi) ser do sexo masculino. Para nosso conhecimento, este estudo é o primeiro a inferir, por meio da sistematização de estudos observacionais realizados com a população brasileira, a associação entre a exposição a agrotóxicos e a ocorrência da doença de Parkinson no país, evidenciando a necessidade de políticas públicas eficientes.
DOI
10.1590/0102-311XEN011424
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Publicado por (Instituto)