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Excesso de mortalidade invernal na Argentina entre 1997 e 2017: abordagem a partir da saúde coletiva e disputa epistêmica desde o Sul Global

Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O excesso de mortalidade invernal é estudado no Norte Global como manifestação de desigualdades sociais e de mortalidade evitável. Tem uma identificação complexa que difere da mortalidade geral. O objetivo deste estudo foi evidenciar a ocorrência do excesso de mortalidade invernal na Argentina entre 1997 e 2017, descrever sua magnitude, tendência e distribuição a fim de discuti-la a partir de uma perspectiva crítica como objeto de conhecimento para a saúde coletiva. Foram utilizadas bases de dados oficiais sobre mortalidade para um estudo de séries temporais em âmbito nacional, regional e provincial, integrando agregados espaciais e temporais. Foram identificadas 407.950 mortes em excesso invernal, com média anual de 16.667 (20,4%; IC95%: 18,6; 22,2). Encontrou-se uma maior prevalência em mulheres (21,8%; IC95%: 20,5; 24,9) do que em homens (18,2%; IC95%: 16,2; 19,5). Desse total, 92,3% ocorreu em idosos acima de 60 anos, com predominância de idosas acima de 80 anos (63%) e homens entre 60 e 79 anos (49,7%). O excesso de mortalidade invernal também foi encontrado em crianças menores de 5 anos, mas não em homens de 15 a 29 anos. O nadir ocorreu em 2010 (15%; IC95%: 14,7; 15,2) e o pico em 1999 (30,5%; IC95%: 30,2; 30,9). A latitude explicou 75% da variabilidade entre as províncias (R² ajustado = 0,75). Conclui-se que as mulheres, crianças menores de 5 anos, idosos acima de 60 anos e moradores das regiões Central e Cuyo foram os mais afetados. A partir de um indicador proxy, este trabalho mostra as desigualdades na mortalidade que provavelmente são injustas e evitáveis, sintetizando vulnerabilidades individuais e coletivas. Seu pioneirismo reside em realizar uma abordagem crítica a partir do Sul Global, fornecendo conhecimentos relevantes para a saúde coletiva. 
DOI
10.1590/0102-311XES168524
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