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Evolução das desigualdades socioeconômicas em saúde bucal e utilização de serviços odontológicos na população adulta brasileira entre 2013 e 2019

Cadernos de Saúde Pública (CSP)

A Política Nacional de Saúde Bucal no Brasil ampliou o acesso aos serviços odontológicos para a população brasileira, mas não está claro se houve redução das desigualdades em saúde bucal no país. Este estudo avaliou a evolução das desigualdades socioeconômicas em saúde bucal, uso de produtos de higiene bucal e utilização de serviços odontológicos pela população adulta entre 2013 e 2019. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde realizada em 2013 (n = 60.202) e 2019 (n = 88.531) foram utilizados para calcular o índice de desigualdade absoluta (SII, acrônimo em inglês) e o índice relativo de desigualdade (IRD) por escolaridade e renda familiar per capita. As variáveis dependentes foram o uso de escovas dentais, dentifrício e fio dental, dentição funcional, uso de serviços odontológicos pelo menos uma vez na vida, uso de serviços odontológicos no último ano e uso de serviços odontológicos para cuidados preventivos. As desigualdades no uso de produtos de higiene bucal e no uso de serviços odontológicos diminuíram entre 2013 e 2019. No entanto, a dentição funcional manteve os mesmos níveis de desigualdade em termos de escolaridade (IRD = 1,6) e renda (IRD = 1,3). Por sua vez, as desigualdades escolares no uso de cuidados odontológicos preventivos aumentaram (SII = 33,3 em 2013, SII = 38,9 em 2019). Este estudo destaca a necessidade de reorientar a Política Nacional de Saúde Bucal para reduzir a perda dentária e melhorar a utilização dos serviços odontológicos para cuidados preventivos nos grupos mais vulneráveis. Apesar das melhorias no uso de serviços odontológicos e no acesso a produtos de higiene bucal, persistem desigualdades socioeconômicas em saúde bucal no Brasil.

DOI
10.1590/0102-311XEN162324
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Publicado por (Instituto)