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“Eu que lute nessa quarentena pra ficar com corpo desse”: discursos sobre corpo e alimentação nas redes sociais em tempos de isolamento social

Raca - Revista de Alimentação e Cultura das Américas

O distanciamento social foi adotado como a principal  medida de enfrentamento à Covid-19, e as redes sociais ganharam destaque como forma de garantir a interação social, momentos de lazer e acesso à informações. Apesar de suas potências, a interação nas redes sociais pode fortalecer a idealização da magreza e o reforço ao estigma do peso. O presente estudo, amparado na abordagem qualitativa, avaliou o conteúdo de comentários associados à publicações centradas na exposição corporal de 10 perfis de mulheres consideradas influenciadoras fitness no Instagram. Foi selecionada uma publicação de cada influenciadora, postada durante o primeiro mês da quarentena. Os comentários foram divididos em três categorias: O medo de engordar e a sombra do estigma do peso; Conflitos corporais, comparações e desejo de mudança do próprio corpo; e Desmerecimento, culpabilização e conflitos em relação à própria alimentação.  Observou-se, pelos comentários, grande preocupação com o ganho de peso, associada às mudanças no comportamento alimentar e a falta de atividade física geradas pela quarentena, reforçando o estigma social da obesidade.  Ademais, constatou-se exaltação da magreza, permeada pelo desejo de modificação do próprio corpo como forma de alcançar as realizações pessoais associadas a ele, atrelada a ideia de que é algo fácil e dependente apenas de esforço individual.

DOI
10.35953/raca.v2i2.74
Edição
Identificação
Publicado por (Instituto)