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Distribuição temporal e espacial da esporotricose na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Brasil: uma comparação de casos humanos e animais (2013-2020)

Cadernos de Saúde Pública (CSP)
A esporotricose transmitida por gatos é atualmente hiperendêmica na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Brasil. Apesar do contexto zoonótico, a vigilância é fragmentada, sendo as dimensões humana e animal avaliadas separadamente. Este estudo descreve e compara os padrões espaciais e temporais dos casos de esporotricose em humanos e animais (cães e gatos) notificados ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no período de 2013 a 2020. Foi realizado um estudo ecológico, baseado na evolução espacial e temporal da esporotricose na área, comparando-se as séries temporais para casos humanos e animais por mês. Também comparamos as incidências humanas cumulativas e a proporção de casos de animais por habitante por bairros ou subdistritos e exploramos a correlação espacial com Moran global e local. Durante o período, foram notificados 9.552 casos suspeitos de esporotricose humana e 12.532 de animais. Análises exploratórias espaciais e temporais apontaram ações que favoreceram a notificação nesse período, como o estabelecimento da notificação obrigatória e campanhas relacionadas à assistência veterinária pública. Verificou-se também a existência de aglomerados na zona oeste da capital e cidades fronteiriças e a expansão da esporotricose para outras áreas desfavorecidas da capital e da periferia da região metropolitana. Ademais, observamos padrões divergentes entre a distribuição da esporotricose humana e animal no tempo e no espaço. Nossos achados mostram uma expansão espacial da esporotricose para humanos e animais; no entanto, eles também destacam as limitações da vigilância atual, indicando subestimação da magnitude do problema.
DOI
10.1590/0102-311XEN133024
Edição
Publicado por (Instituto)