Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O objetivo deste estudo foi avaliar a diferença geracional no consumo alimentar de adultos brasileiros nascidos entre 1928 e 1988. Foram analisados dados do Inquérito Nacional de Alimentação de 2008-2009 (n = 25.324) e 2017-2018 (n = 36.480). Os alimentos consumidos foram classificados de acordo o nível de processamento, segundo a classificação NOVA. As diferenças de consumo entre gerações foram avaliadas por meio da comparação de indivíduos da mesma faixa etária em cada inquérito. Para verificar o efeito da renda sobre o consumo de ultraprocessados, foi desenvolvido um modelo de regressão linear para cada quartil de renda. As gerações mais jovens reduziram o consumo calórico total, em ambos os sexos e em todas as faixas etárias. Em 2017-2018, as gerações mais jovens, entre 20 e 39 anos, com menor nível de renda, apresentaram maior percentual de consumo de ultraprocessados em comparação às gerações mais velhas. A contribuição percentual de cada grupo da classificação NOVA para o consumo calórico total foi semelhante entre as gerações. As análises demonstraram que diferenças geracionais no consumo alimentar de adultos brasileiros nascidos entre 1928 e 1988. Entre os indivíduos de 20 a 39 anos, aqueles pertencentes às gerações mais jovens apresentaram maior consumo de ultraprocessados em comparação às gerações mais velhas, mas somente entre os grupos de menor renda.
DOI
10.1590/0102-311XPT012225
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