Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O objetivo deste estudo foi avaliar a utilização dos locais de aquisição de alimentos e sua associação com desigualdades sociais, por meio de um estudo transversal baseado em amostra representativa de 1.855 domicílios no Rio de Janeiro, Brasil. A utilização dos locais de aquisição de alimentos foi avaliada por meio de um questionário e classificada segundo o seu tipo de venda. O perfil social foi classificado com base nas informações dos chefes das famílias. Empregou-se o modelo de regressão logística para avaliar a associação entre a escolaridade e os locais de aquisição de alimentos. Mais de 2/3 das famílias citaram os supermercados (97,5%) e locais de venda de alimentos in natura ou minimamente processados (80,6%) como locais de compra. A menor escolaridade do chefe da família (OR = 2,1; IC95%: 1,3-3,4) e a ausência de trabalho remunerado (OR = 1,38; IC95%: 1,24-2,28) se relacionaram significativamente a maior aquisição em locais de venda de alimentos in natura ou minimamente processados. Como fatores de proteção, os níveis severos de insegurança alimentar (OR = 0,3; IC95%: 0,2-0,7), a ausência de trabalho remunerado (OR = 0,6; IC95%: 0,5-0,8) e a escolaridade dos chefes das famílias (5 a 11 anos; OR = 0,55; IC95%: 0,33-0,93) foram respectivamente associados a menor compra de alimentos em supermercados, pequenos mercados e em locais de venda de produtos ultraprocessados. A modificação do ambiente alimentar favorecerá a garantia do direito humano à alimentação adequada por meio do acesso a alimentos saudáveis, dado que sua realização pressupõe um abastecimento equitativo e sustentável para a população.
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10.1590/0102-311XPT159725
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