Cadernos de Saúde Pública (CSP)
Diante das evidências que associam o consumo de alimentos ultraprocessados a desfechos adversos à saúde e da escassez de estudos longitudinais avaliando conjuntamente o consumo de ultraprocessados e índice de massa corporal (IMC), este estudo identificou grupos de multitrajetórias da adolescência ao início da vida adulta e descreveu suas características demográficas e comportamentais. Foram analisados dados da coorte de nascimentos de 1993 de Pelotas (Brasil) aos 15, 18 e 22 anos (n = 2.890). Grupos de multitrajetórias do consumo diário de ultraprocessados e do IMC (escore-z para idade e sexo), estratificados por sexo, foram estimados utilizando Group-Based Trajectory Modelling. O consumo diário de ultraprocessados foi definido pelo número de alimentos consumidos pelo menos uma vez ao dia. Dezesseis alimentos classificados segundo a NOVA foram agrupados em seis categorias. Os grupos foram descritos segundo tipos de ultraprocessados, pobreza, atividade física, tempo de tela, tabagismo, consumo de álcool e comportamentos de risco. Foram identificados três grupos: dois com baixo consumo de ultraprocessados (grupo 1 e grupo 2) e um com aumento do consumo (grupo 3). No grupo 1 (38,7% homens; 34% mulheres), o IMC aumentou, enquanto no grupo 2 (39,4% homens; 44,5% mulheres) permaneceu estável. No grupo 3 (21,9% homens; 21,5% mulheres), o consumo de ultraprocessados aumentou, principalmente fast food, refrigerantes e carnes processadas, enquanto os escores-z de IMC permaneceram próximos de zero nos homens e aumentaram nas mulheres. Comportamentos de risco aumentaram no grupo 3, enquanto a pobreza foi menos prevalente no grupo 1. Grupo 3 apresentou maior consumo de ultraprocessados e mais comportamentos de risco, apesar do IMC normal. O monitoramento do consumo de ultraprocessados pode auxiliar na identificação de grupos em risco anteriormente ao surgimento do excesso de peso.
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10.1590/0102-311XEN185225
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