O objetivo desse artigo é delinear o papel das comidas ritualísticas em cerimônias de candomblé na obra Tenda dos Milagres (1969), de Jorge Amado, na qual o romancista baiano aborda o preconceito dos brancos perante as religiões de matriz africana. Mulato e capoeirista, o protagonista Pedro Archanjo, que transita no universo das festas religiosas da Bahia e nos terreiros de pais de santos, é um bedel da Faculdade de Medicina. Autodidata, o sociólogo amador escreve livros sobre a mestiçagem, o sincretismo religioso, a gastronomia e a cultura popular. Em uma época plena de críticas ao candomblé, o narrador apresenta a profundidade dos ritos, nos quais a comida é um elemento primordial na relação de trocas entre os seres humanos e as divindades. O artigo de caráter bibliográfico foi baseado em reflexões de Mauss (dádiva), de Vogel (oferendas e sacrifícios) e de Bastide (hibridismo cultural).