Cadernos de Saúde Pública (CSP)
A tafenoquina e a primaquina são medicamentos utilizados no tratamento da malária por Plasmodium vivax e podem causar hemólise em pacientes com deficiência da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD). Recomenda-se a testagem da G6PD previamente à administração dos medicamentos. A tafenoquina e o teste quantitativo point-of-care G6PD estão incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para indivíduos maiores de 16 anos, mas não estão disponíveis para pacientes menores e de certas faixas de peso. A testagem para todos os pacientes elegíveis ao tratamento com primaquina também não é oferecida no SUS. O objetivo deste estudo foi calcular o impacto orçamentário incremental da incorporação da tafenoquina seguida da testagem da deficiência de G6PD para menores de 16 anos e por peso. Incluiu-se também a ampliação da testagem para os pacientes elegíveis ao tratamento com a primaquina. A perspectiva da análise é a do SUS para um horizonte de cinco anos. A população de referência foi a da Amazônia brasileira. Elaborou-se um modelo de impacto orçamentário que foi validado por gestores e especialistas em malária e assistência farmacêutica no SUS. O impacto orçamentário incremental foi de R$ 12,5 milhões. O modelo previu que a incorporação da tafenoquina reduziria os custos de hospitalização e de recorrências em cerca de 9% e 11%, respectivamente. O custo e o desperdício das tiras reagentes do teste impactaram nos resultados. As tecnologias avaliadas podem contribuir para a tomada de decisões mais seguras no tratamento da malária na Amazônia brasileira e parao planejamento, se as tecnologias em análise forem incorporadas.
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10.1590/0102-311XPT044925
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