A violência no namoro durante a adolescência é um problema de saúde pública mundial devido à sua ocorrência e consequências negativas para a saúde. Infelizmente, as pesquisas que abordam essa questão nos países latino-americanos ainda são limitadas. Buscando preencher essa lacuna, este estudo busca estimar a prevalência de vitimização e perpetração de violência no namoro entre estudantes do Ensino Médio, considerando fatores sociodemográficos, exposição a outras formas de violência e características relacionadas à escola. A pesquisa inclui 539 participantes selecionados por um procedimento de amostragem probabilística de escolas públicas e privadas do Rio de Janeiro, Brasil. O Conflict in Adolescent Dating Relationships Inventory foi utilizado para detectar violência no namoro. A prevalência de vitimização variou de 16,7% (sexual) a 94,6% (emocional). A prevalência de perpetração variou entre 9,9% (sexual) e 94,6% (emocional). Os meninos foram mais vitimizados fisicamente (37,2% vs. 24,5%) e perpetraram mais abuso sexual (13,7% vs. 6,9%) do que as meninas. Em geral, os adolescentes que relataram abuso infantil, os que vivem em áreas violentas e os que consomem bebidas alcoólicas com maior frequência apresentaram maior prevalência de violência no namoro. No entanto, algumas diferenças entre as características de vulnerabilidade de meninos e meninas precisam ser mais bem debatidas. Esses perfis heterogêneos de vitimização/perpetração de meninos e meninas indicam a necessidade de intervenções específicas para prevenir a violência no namoro.