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Efeitos adversos da profilaxia pré-exposição oral diária para homens que fazem sexo com homens e mulheres trans: revisão sistemática e metanálise

Cadernos de Saúde Pública (CSP)

Os efeitos adversos da profilaxia pré-exposição (PrEP) oral com fumarato de tenofovir desoproxila são barreiras para o início e a continuidade da PrEP. Embora os efeitos graves sejam raros e previsíveis, as evidências dessa avaliação entre homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres transgênero (MTG) ainda são limitadas. Este estudo avalia os efeitos adversos da PrEP oral diária em HSH e MTG. Trata-se de uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos e coortes que demonstram o uso de PrEP oral diária selecionados nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Embase, LILACS e Cochrane CENTRAL. A extração de dados incluiu os efeitos adversos e alterações nos marcadores renais e hepáticos. Modelos de efeitos aleatórios foram usados para resumir o risco de efeitos adversos ao longo do estudo. A heterogeneidade foi avaliada pelo teste Q de Cochran e inconsistência (I2). O risco de viés e a certeza da evidência foram avaliados por meio das recomendações da Colaboração Cochrane. Foram identificadas 653 referências. Destes, dez foram selecionadas. Todos os estudos avaliaram marcadores renais de elegibilidade e marcadores hepáticos. O uso diário de PrEP oral não foi associado a eventos de grau 3 ou 4 (RR = 0,99; IC95%: 0,83-1,18; I2 = 26,1%), a qualquer evento adverso grave (RR = 1,04; IC95%: 0,58-1,87; I2 =88,4%), à creatinina grau 3 ou 4 (RR = 0,66; IC95%: 0,24-1,84; I2 = 79,9%) e à hipofosfatemia grau 3 ou 4 (RR = 0,56; IC95%: 0,15-2,10). A certeza das evidências variou de alta a moderada para os desfechos analisados. A PrEP oral diária é segura e bem tolerada por HSH e MTG. Os efeitos adversos foram mínimos e distribuídos uniformemente entre a intervenção e o controle.

DOI
10.1590/0102-311XEN089522
Edição
Publicado por (Instituto)