A pandemia da COVID-19 causou uma crise de saúde pública com o aumento no número de mortes. Como resultado, o número de pessoas em luto aumentou significativamente. Além disso, as medidas adotadas com o objetivo de controlar a propagação do vírus desencadearam mudanças nas experiências subjetivas e coletivas de luto. Esta revisão sistemática da literatura teve como objetivo resumir e reinterpretar os resultados de estudos qualitativos sobre a experiência de luto devido à perda familiar durante a pandemia, por meio de uma síntese temática. As buscas foram feitas nas bases de dados Web of Science, Scopus, PubMed/MEDLINE, CINAHL, PsycINFO e LILACS. Dos 602 artigos identificados, 14 foram incluídos. As evidências foram avaliadas utilizando-se a ferramenta Critical Appraisal Skills Programme. Foram elaborados dois temas descritivos relacionados ao objetivo e um tema analítico, nomeado: “Luto pandêmico: solitário e inacabado”. Esses temas mostraram-se inter-relacionados e indicam que, nesse contexto, as exigências de distância física, a restrição de visitas hospitalares, a comunicação mediada por tecnologia e a proibição ou restrição de rituais fúnebres impactaram negativamente as experiências de perda. Essas mudanças resultaram em experiências marcadas por sentimentos de solidão e desamparo, que devem ser consideradas no planejamento de estratégias de intervenção que favoreçam a comunicação entre os familiares e o ente querido acometido e com a equipe de saúde, possibilitando o acolhimento e a criação de alternativas para os rituais de despedida. Os resultados podem subsidiar novas pesquisas para testar protocolos de intervenção, especialmente para orientar políticas públicas e promover apoio psicológico ao familiar enlutado após a perda.