Este artigo investigou o comprometimento das disciplinas dos currículos de Ciências Agrárias (Engenharia Agronômica e Engenharia Florestal), Gestão Ambiental e Administração da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ - USP), com a formação acadêmica do extensionista rural, sob a perspectiva da Lei de ATER, nº 12.188/2010. Trata-se de estudo interdisciplinar entre a área das ciências ambientais, suas distintas dimensões (política, social, histórica e cultural) e o campo da educação. A hipótese básica deste estudo é que a cultura institucional da ESALQ, pautada pela sua própria história e atrelada àquela da fundação da Universidade de São Paulo (USP), influencia a construção de uma estrutura curricular com forte fundamentação produtivista e elitista, propiciando um viés formativo para os futuros agentes da assistência técnica e extensão rural, que poderão atuar tanto na esfera pública quanto no particular. Por meio de um processo metodológico idiossincrático entre a pesquisa bibliográfica e a teoria da Análise Crítica do Discurso (ACD) foram encontrados elementos de capital cultural inerentes ao contexto histórico e sociopolítico da USP e da ESALQ, que influenciam formas específicas de conhecimento no delineamento dos respectivos currículos.
O papel da formação universitária para o(a) extensionista rural, sob a perspectiva da lei de ATER (nº 12.188/2010): os cursos de Ciências Agrárias, Gestão Ambiental e Administração da ESALQ (USP)
Revista Fitos
DOI
10.32712/2446-4775.2023.1407
Autores
Edição
Identificação
Referências do artigo
Sistema Jupiter USP. [https://uspdigital.usp.br/jupiterweb/jupCursoLista?codcg=11&tipo=N].
Universidade de São Paulo – USP. Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ). [S.D.] [http://www.esalq.usp.br/institucional/histórico].
IDAM – Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas. [http://www.idam.am.gov.br/o-idam/lei-de-ater/].
Caporal FR. (org.) Extensão rural e agroecologia: para um novo desenvolvimento rural, necessário e possível. MDA, Brasília. 2007.
Caporal FR. Política Nacional de Ater: primeiros passos de sua implementação e alguns obstáculos e desafios a serem superados. In: Ramos L, Tavares J. (Org.). Assistência Técnica e Extensão rural: construindo o conhecimento agroecológico. Ed. Bagaço, Manaus. 2006: 9-34.
Jacob LB. Agroecologia e universidade: entre vozes e silenciamentos. Tese de Doutorado [em Ecologia Aplicada] - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Centro de Energia Nuclear na Agricultura. Piracicaba. 2011. [https://doi.org/10.11606/T.91.2011.tde-19092011-095643].
Octaviano C. Muito além da tecnologia: os impactos da Revolução Verde. ComCiência. 2010; 120.
Fairclough N. A análise crítica do discurso e a mercantilização do discurso público: as universidades. In: Magalhães C. (Org.). Reflexões sobre a análise crítica do discurso. Belo Horizonte: Faculdade de Letras / UFMG. 2001: 31-81.
Salles HK, Dellagnelo, EHL. A Análise Crítica do Discurso como alternativa teórico-metodológica para os estudos organizacionais: um exemplo da análise do significado representacional. Organ Soc. 2019; 26: 414-434. [https://doi.org/10.1590/1984-9260902].
De Sousa AS, De Oliveira GS, Alves LH. A pesquisa bibliográfica: princípios e fundamentos. Cad FUCAMP. 2021; 20(43): 64-83. [https://revistas.fucamp.edu.br/index.php/cadernos/article/view/2336].
Libâneo JC. Didática. 2ª ed. Cortez, São Paulo. 2013.
Foucault M. Microfísica do poder. Forense-Universitária, Rio de Janeiro. 1987.
Cardoso IAR. A Universidade da Comunhão Paulista: o projeto de criação da Universidade de São Paulo. Cortez/Autores Associados, São Paulo. 1982.
Molina RS. História do movimento estudantil: centro acadêmico da “ESALQ/USP” de 1909 a 2016. Argumentos Pró-Educação. 2017; 2(5):. [https://doi.org/10.24280/ape.v2i5.183].
Leme LML. Universidade: limites e potencialidades no ambiente educacional de uma instituição pública de educação superior no interior do Estado de São Paulo. Piracicaba. 2017. 193 f. Dissertação de Mestrado [em Ciências - Ecologia Aplicada] - Centro de Energia Nuclear na Agricultura. Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, USP, Piracicaba. 2017. [https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/91/91131/tde-07062017-084558/publico/Luciana_Maria_de_Lima_Leme_versao_revisada.pdf].
Molina RS. Ditadura, agricultura e educação: a ESALQ/USP e a modernização conservadora do campo brasileiro (1964 a 1885). Campinas. 2016.Tese Doutorado [em Educação] – Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP. Campinas. 2016. [https://doi.org/10.9771/gmed.v9i3.22449].
Bourdieu P. “O conflito das faculdades.” In: Bourdieu P. Homo academicus. Florianópolis: Ed. da UFSC. 2011: 63 – 102.
Bourdieu P. Lições da aula. Ática, São Paulo. 1988.
Universidade Federal de Santa Maria, RS, Brasil. [https://www.ufsm.br/graduacao/].
Universidade Federal de Lavras, MG, Brasil. [https://esalmg.ufla.br/graduacao/].
Giroux HA. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Artmed Editora, Porto Alegre. 1997.
Zabalza MA. O ensino universitário: seu cenário e seus protagonistas. Artmed, Porto Alegre. 2004.
Dufumier M. Agricultura e desenvolvimento sustentável. In: Marques M, Eduardo P. (org.). Política agrícola, desenvolvimento rural e sustentabilidade: diálogo franco-brasileiro no âmbito da cooperação em ciências agrárias e florestais, série pesquisa. Piracicaba: LES/ESALQ/USP, 2010.
Bohoslavsky RH. “A psicopatologia do vínculo professor aluno: o professor como agente socializante.” In: Patto MHS. Introdução à Psicologia Escolar. T. A. Queiroz, São Paulo. 1981; 320-341.
Página da publicação
Publicado por (Instituto)