A etnobotânica é uma importante ferramenta para a identificação de espécies da Flora utilizada por comunidades tradicionais para fins medicinais, contribuindo também para a preservação da cultura popular. Esse estudo objetivou avaliar a relação entre o uso de plantas medicinais e a busca por saúde nas comunidades quilombolas da Barra e Bananal, Rio de Contas-BA. O levantamento etnobotânico foi realizado através de entrevistas semi-estruturadas, aplicação de formulários e observação participante a fim de identificar o uso de plantas para fins medicinais. Os sinais e sintomas de doenças citadas para as quais eram utilizadas plantas foram organizados em categorias baseadas na Classificação Internacional de Doenças proposta pela OMS. Foram citadas 71 espécies vegetais sendo Mentha spicata, a mais citada (8,5%) e a família Lamiaceae a mais representativa. As comunidades utilizam principalmente as folhas (55,3%), na forma de chá (64%). A maioria das plantas (62,5%) é obtida nos quintais das casas e cerca de 24% são coletadas em diferentes áreas da região. O maior número de espécies foi indicado para aliviar sintomas em geral (31,5%) seguidos pelos problemas relacionados aos sistemas respiratórios (24,3%) e gastrointestinais (15,8%). As comunidades estudadas fazem intenso uso de plantas medicinais, possuindo amplo conhecimento acerca desses recursos.
Estudo Etnobotânico em Comunidades Remanescentes de Quilombo em Rio de Contas - Chapada Diamantina - Bahia
Revista Fitos
DOI
10.32712/2446-4775.2012.143
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Referências do artigo
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