A precarização do trabalho representa um sistema político de submissão dos trabalhadores à exploração, que também alcança os(as) enfermeiros(as) de Atenção Primária à Saúde e pode ser influenciado por características locorregionais. Objetivou-se descrever a multidimensionalidade do trabalho precário em enfermeiros desse tipo de atenção nas macrorregiões da Bahia. Realizou-se pesquisa quantitativa, entre os anos 2019 e 2021, com 498 enfermeiros, cujo recorte analítico considerou as multidimensões da precarização do trabalho (emprego, gestão do trabalho, rendimento e representação). A análise pautou-se na descrição das variáveis sociodemográficas, formativas, laborais e relativas à precarização do trabalho. Dentre as dimensões da precarização, observou-se que a macrorregião Norte tem o maior número de profissionais com contratos temporários (63,8%) e em regulares condições de trabalho (50,0%); a Oeste, menor faixa salarial (82,0%); e a Centro-Leste, o menor número de enfermeiros que recebem insalubridade (68,8%). A macrorregião Nordeste possui o maior número de não filiados a entidades representativas (97,1%). O estudo sinalizou a ausência de uma norma geral balizadora para os modelos jurídicos implementados nas macrorregiões, bem como de uma política de valorização dos profissionais. Também buscou contribuir para a identificação das características da precarização dos enfermeiros da Atenção Primária na Bahia e constatou essa necessidade para adequação das condições de trabalho.
Imagem: André Antunes - EPSJV/Fiocruz