Revista Fitos
O uso de plantas medicinais é uma prática amplamente difundida no Brasil e muitas vezes ocorre paralelamente ao tratamento farmacológico convencional, podendo favorecer interações indesejadas, especialmente entre pessoas idosas. Este estudo transversal teve como objetivo identificar possíveis interações entre plantas medicinais e medicamentos utilizados por idosos residentes em Governador Valadares, Minas Gerais. A pesquisa foi realizada em 2022 com amostragem por conveniência, envolvendo participantes voluntários com 60 anos ou mais que frequentavam o grupo “Comunidade Viva em Ação”, no qual realizam atividades físicas. A coleta ocorreu por meio de entrevistas diretas com um roteiro semiestruturado, contemplando variáveis sociodemográficas, uso de medicamentos (nome, prescrição, dose, frequência e tempo de uso) e uso de plantas medicinais (espécie, parte utilizada, preparo, posologia e frequência semanal). Ao todo, participaram 110 pessoas idosas. Observou-se que 70% faziam uso simultâneo de plantas medicinais e medicamentos, sendo Melissa officinalis L., Rosmarinus officinalis L. e Matricaria chamomilla L. as espécies mais citadas. Verificou-se risco de interações em 31,2% dos entrevistados, envolvendo principalmente fármacos anti-hipertensivos, benzodiazepínicos e anti-inflamatórios. Os achados reforçam a importância de considerar o uso de plantas medicinais na anamnese clínica e de promover orientações sobre o uso racional dessas práticas entre a população de pessoas idosas.
DOI
10.32712/2446-4775.2026.1984
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