História, Ciências, Saúde - Manguinhos (HCS)
Este estudo analisa, sob uma perspectiva crítica da história intelectual, o intercâmbio epistolar entre Renato Ferraz Kehl e António Mendes Correia, protagonistas dos discursos eugênicos no Brasil e em Portugal. As cartas são tratadas como dispositivos de consagração científica, revelando um campo transatlântico de trocas assimétricas marcadas por disputas de prestígio, estratégias editoriais e autoridade epistêmica. Com base nas categorias de habitus e capital simbólico (Bourdieu), argumenta-se que essas correspondências funcionam como artefatos performativos da racionalidade eugênica, situando-se entre o íntimo e o institucional. A análise ilumina conteúdos explícitos, mas também silêncios e frustrações que permeiam essa relação, revelando como a eugenia foi negociada e instrumentalizada no contexto atlântico luso-brasileiro.
DOI
10.1590/S0104-59702026000100014
Autores
Palavras-chave
Edição
Identificação
Página da publicação
Publicado por (Instituto)