Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O amianto, uma fibra mineral usada na construção civil e na indústria dado sua durabilidade e resistência, é reconhecido como carcinógeno do Grupo 1 pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer devido a evidências suficientes de sua carcinogenicidade através da exposição à inalação. Embora o Brasil tenha proibido o amianto crisotila em 2017, antigas áreas de mineração ainda oferecem grandes riscos ambientais, potencialmente sustentando a contaminação à longo prazo dos ecossistemas ao seu redor. Este estudo buscou identificar e caracterizar a presença qualitativa de fibras de amianto crisotila em águas superficiais e sedimentos em Bom Jesus da Serra, Bahia, Nordeste do Brasil, onde a mina São Félix operou por quase três décadas sem remediação subsequente. Entre agosto e novembro de 2022, oito locais de amostragem foram monitorados em cinco campanhas de campo. Amostras de água e sedimentos foram coletadas e analisadas acerca de seus parâmetros físicos e químicos seguindo os padrões ABNT e CETESB, enquanto fibras de amianto foram detectadas e confirmadas por microscopia de contraste de fase, microscopia eletrônica de varredura com espectroscopia de energia dispersiva e microscopia eletrônica de transmissão. Fibras de crisótilo foram consistentemente encontradas em amostras de água e em sedimentos em todos os locais, com maior acúmulo nos sedimentos, indicando contaminação persistente dos ecossistemas aquáticos. A maioria dos indicadores convencionais de qualidade da água estava em conformidade com as normas brasileiras. No entanto, as fibras de amianto não foram quantificadas usando métricas regulatórias, impedindo a comparação com diretrizes internacionais ou avaliação de exposição. Sua detecção qualitativa recorrente indica sua persistência ambiental, apoia o monitoramento contínuo e sugere futuras investigações quantitativas voltadas a estratégias de saúde pública em comunidades vulneráveis.
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10.1590/0102-311XEN271425
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