Cadernos de Saúde Pública (CSP)
A segurança do paciente é um desafio estratégico para o Sistema Único de Saúde (SUS) e uma prioridade para a qualidade hospitalar no Brasil. Este estudo descreve a variação da cultura de segurança entre hospitais brasileiros e analisa se fatores estruturais e organizacionais podem explicar parte dessas diferenças. Foi realizado um estudo transversal com dados coletados em 2021 de 42.038 profissionais de saúde que atuam em 304 hospitais públicos e privados, distribuídos por todas as regiões do país. A cultura de segurança foi mensurada a partir da proporção de respostas positivas a 42 afirmações do Hospital Survey on Patient Safety Culture, um questionário internacional desenvolvido pela Agência para Pesquisa e Qualidade em Saúde dos Estados Unidos (AHRQ) e adaptado para o contexto brasileiro. As variáveis analisadas incluíram localização geográfica, tipo de gestão e porte hospitalar, por meio de regressão linear multivariada com reamostragem (bootstrap). Observou-se ampla variação entre os hospitais nas 12 dimensões avaliadas da cultura de segurança. Duas dimensões foram consideradas como pontos fortes (com médias superiores a 75% de respostas positivas), enquanto uma foi identificada como fragilidade (com média inferior a 50%). O modelo estatístico explicou 37% da variação e apontou como principais fatores associados a localização na Região Nordeste, a gerência pública indireta, o pequeno porte institucional e o status de hospital de ensino. Conclui-se que a cultura de segurança do paciente varia significativamente entre hospitais do país e está relacionada a características estruturais que podem ser alvo de políticas públicas e estratégias de gestão. Os achados fortalecem iniciativas como o Programa Nacional de Segurança do Paciente e oferecem subsídios práticos para a tomada de decisão no âmbito do SUS.
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10.1590/0102-311XPT052025
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