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Sacrifício financeiro e capacidade aquisitiva a medicamentos na atenção primária: evidências de um município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Brasil

Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O estudo analisou a prevalência e os fatores associados ao sacrifício financeiro relacionado ao acesso a medicamentos entre usuários da atenção primária em um município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Brasil. Trata-se de um estudo transversal realizado em 2023 com 290 usuários de unidades de atenção primária de Niterói, distribuídos entre Policlínicas, Programa Médico de Família e Centros de Atenção Psicossocial. O sacrifício financeiro foi definido como a necessidade de adiar compras essenciais, contrair empréstimos ou vender bens para custear despesas com saúde. Aplicaram-se questionários estruturados pautados em métodos validados de avaliação do setor farmacêutico. Realizaram-se análises descritivas e regressão logística binária, com nível de significância de 5%. A prevalência de sacrifício financeiro foi de 35,5% (IC95%: 30,2-41,0), sem diferença significativa entre tipos de serviço (p = 0,416). Internação hospitalar foi o único fator independentemente associado ao desfecho (OR = 2,89; IC95%: 1,05-7,94; p = 0,04). Despesas com medicamentos foram relatadas por 6,2% dos entrevistados, sem associação significativa com o sacrifício financeiro. As estratégias de enfrentamento mais frequentes foram adiamento de contas (14,8%) e endividamento formal ou informal (12,7%), seguidas por redução na compra de alimentos (5,2%). O sacrifício financeiro afeta mais de um terço dos usuários da atenção primária, sendo as internações hospitalares o principal fator associado. Os achados evidenciam lacunas na proteção financeira do Sistema Único de Saúde e reforçam a necessidade de fortalecer políticas de provisão pública de medicamentos e de proteção contra gastos catastróficos.
DOI
10.1590/0102-311XPT231825
Identificação
Publicado por (Instituto)