Os objetivos deste estudo foram identificar o ambiente alimentar de trabalhadoras agrícolas diaristas em migração interna no México e construir cenários prospectivos para formular alternativas que orientem as políticas agroalimentares a partir da abordagem da justiça social. Foram utilizados métodos qualitativos, incluindo entrevistas semiestruturadas com trabalhadoras diaristas e especialistas no assunto, observação em cultivos de pimenta em Guanajuato, captura de imagens, além de oficinas de prospecção alimentar. Os dados foram analisados por meio de uma análise de conteúdo. As trabalhadoras agrícolas diaristas em migração interna enfrentam desvantagens sistemáticas ao longo da rota de migração em um contexto de alta vulnerabilidade e discriminação. Vivem em situação precária, tanto em relação ao trabalho quanto no acesso à alimentação adequada, imersas em um ambiente alimentar insalubre e cercado por desertos e pântanos alimentares. Um cenário viável onde possam migrar em condições justas e com seus direitos trabalhistas e alimentares garantidos. As trabalhadoras agrícolas diaristas em migração interna não têm atendidas as seis dimensões da justiça social para alcançar o bem-estar, refletindo em um ambiente alimentar que promove injustiças, desigualdades e vulnerabilidade alimentar. Reforça-se a necessidade urgente de políticas públicas que visem à melhoria das condições de trabalho, de vida e de alimentação nas zonas rurais por meio da promoção das economias locais, que tornam a migração uma opção e não uma obrigação. A implementação dessas políticas não só melhoraria suas vidas, mas também promoveria um modelo alimentar mais justo para a zona rural do México, com base na soberania alimentar.