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Relação entre eventos estressores e marcadores inflamatórios em adultos jovens da coorte de nascimentos de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, 1993

Cadernos de Saúde Pública (CSP)

O estresse crônico está associado a diversas morbidades, mas seus efeitos fisiológicos ainda demandam maior compreensão, especialmente em relação a biomarcadores inflamatórios. Este estudo investigou a associação entre eventos estressores e níveis médios de proteína-C reativa (PCR) e interleucina-6 (IL-6), transversalmente (aos 18 e 22 anos) e longitudinalmente (exposição aos 18 e desfecho aos 22 anos). Foram incluídos participantes da coorte de nascimentos de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, de 1993, com dados completos nas duas idades (n = 2.871 aos 18 anos; n = 2.444 aos 22 anos). A exposição foi avaliada como número de eventos estressores (nenhum, 1, ≥ 2) e em grupos de eventos estressores (6 grupos aos 18 anos; 8 grupos aos 22 anos). Modelos de regressão linear avaliaram as associações, incluindo análise de interação por sexo. As associações não estratificadas foram nulas ou controversas. Após estratificação por sexo, observaram-se associações transversais: aos 22 anos, homens expostos a abuso físico apresentaram níveis mais elevados de PCR (β logPCR: 0,41, IC95%: 0,04; 0,78) e IL-6 (β logIL-6: 0,26, IC95%: 0,06; 0,46) do que os não expostos; aos 18 anos, mulheres expostas a mudanças indesejadas tiveram maiores níveis de IL-6 (β: 0,15, IC95%: 0,02; 0,28), enquanto aos 22 anos, aquelas com problemas nas relações apresentaram níveis mais baixos de PCR (β: -0,15, IC95%: -0,29; -0,01) em comparação às não expostas. Os resultados sugerem que o impacto dos eventos estressores na inflamação varia conforme o tipo de eventos estressores, idade e sexo, possivelmente refletindo diferenças em mecanismos biopsicológicos.

DOI
10.1590/0102-311XPT043125
Identificação
Publicado por (Instituto)