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A raça/cor modifica o efeito da mobilidade educacional intergeracional na satisfação com a vida e na renda familiar? Resultados do ELSA-Brasil

Cadernos de Saúde Pública (CSP)

Usando dados de 12.987 participantes da segunda visita do ELSA-Brasil (2012-2014), investigamos se a raça/cor (branca, parda, preta) modifica a associação da mobilidade educacional intergeracional com a satisfação com a vida e renda média per capita. A mobilidade educacional intergeracional foi avaliada comparando a escolaridade materna com a do próprio participante. Foi utilizada a Escala de Satisfação com a Vida (satisfeito versus insatisfeito) para avaliar a satisfação com a vida. A prevalência de insatisfação com a vida foi maior em pretos (13,5%) e pardos (12,4%) do que em brancos (9,2%). Após ajustes por idade, sexo, situação conjugal e centro de pesquisa, a mobilidade educacional ascendente foi associada às chances 32% (OR = 0,68; IC95%: 0;53-0;86) menores de insatisfação com a vida quando comparada à trajetória estável-baixa; mas essa associação foi observada apenas entre brancos. A trajetória estável-alta foi associada às chances 31% (OR = 0,69; IC95%: 0,56-0,86) e 29% (OR = 0,71; IC95%: 0,54-0,95) menores de insatisfação com a vida em brancos e pardos, respectivamente. Nenhuma associação entre mobilidade social e satisfação com vida foi observada entre os pretos. De forma consistente com esses achados, as trajetórias educacionais ascendente e estável-alta associaram-se a maior renda familiar per capita em brancos e a menor renda em pretos. Nossos resultados reforçam que o racismo estrutural reduz os benefícios da mobilidade educacional em termos de satisfação com a vida e renda em pretos e pardos em comparação aos benefícios observados em brancos.

DOI
10.1590/0102-311XPT092924
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Publicado por (Instituto)