Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O presente estudo examinou se uma baixa posição socioeconômica (PSE) ao longo da vida, o acúmulo de baixa PSE e a mobilidade social intergeracional se associaram à mortalidade por todas as causas em um período de acompanhamento de 15 anos e se essas associações variaram de acordo com raça/cor da pele. Um estudo prospectivo foi conduzido com 13.652 participantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). O desfecho foi o tempo até a morte por qualquer causa. As variáveis explicativas foram PSE na infância (escolaridade da mãe), na adolescência (classe socioocupacional do chefe da família) e na vida adulta (escolaridade e classe socioocupacional do participante), bem como a PSE cumulativa e a mobilidade social intergeracional. Os modelos de riscos proporcionais de Cox foram ajustados por características sociodemográficas. A mortalidade foi de 4,9/1.000 pessoas-ano e foi maior nos homens, idosos, negros e aqueles com baixa PSE. Após os ajustes, baixa PSE na infância, na adolescência e na vida adulta permaneceu associado à maior mortalidade. O maior acúmulo de baixo nível socioeconômico ao longo da vida (HR: 2,02; IC 95%: 1,64-2,48, 4º vs. 1º quartil), bem como baixas trajetórias educacionais e socioocupacionais descendentes e estáveis, também se associaram a maior mortalidade. Em menor grau, uma trajetória socioocupacional ascendente (vs. alta estável) aumentou o risco de morte. Não foi encontrada interação multiplicativa entre PSE e raça/cor da pele no risco de morte. A exposição a desvantagens socioeconômicas ao longo da vida, o acúmulo de experiências sociais negativas e a mobilidade socioocupacional intergeracional desfavorável aumentaram o risco de mortalidade, demonstrando o efeito a longo prazo de uma posição socioeconômica baixa, especialmente com exposição mais longa.
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10.1590/
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