Pessoas transgênero, travestis e não conformes são mais vulnerabilizados à insegurança alimentar devido ao estigma e à discriminação relacionados à sua identidade de gênero. No entanto, há uma escassez de pesquisas qualitativas sobre esse tema. Este estudo examina a vulnerabilidade e as experiências de pessoas trans com relação à insegurança alimentar. Uma revisão sistemática qualitativa foi conduzida por meio da busca em sete bases de dados eletrônicas em março de 2024. Estudos qualitativos sobre a experiência de insegurança alimentar entre pessoas trans foram incluídos. A qualidade dos estudos foi avaliada usando CASP, enquanto a abordagem GRADE-CERQual foi empregada para avaliar a confiabilidade dos resultados. Conduziu-se metassíntese com análise temática. Um total de 673 estudos foram identificados, dos quais cinco foram selecionados. A técnica mais aplicada foi a entrevista semiestruturada. Quatro categorias emergiram da metassíntese: vulnerabilidade à insegurança alimentar, experiência de fome, repercussões e estratégias de enfrentamento. Os resultados mostraram que as pessoas transgênero e não conformes com o gênero enfrentam altos níveis de estigma, discriminação e vitimização, que afetam sua insegurança alimentar em diferentes áreas da vida. Barreiras estruturais, como acesso limitado a alimentos e ao emprego estável, exacerbam essa insegurança, com consequências negativas para a saúde física e mental. Fatores como raça/etnia, gênero, violência de gênero e falta de moradia segura também contribuem para essa situação, incluindo prostituição forçada devido a barreiras sociais. Redes de apoio, como a “família escolhida”, desempenham um papel importante na redução desses efeitos. Para pessoas trans, a complexidade de vivenciar a insegurança alimentar está ligada à transfobia, que cria barreiras e viola o direito à alimentação adequada. Elas lidam com a fome ativando redes de apoio e buscando assistência alimentar através de instituições.