A multimorbidade está associada a efeitos negativos sobre a saúde dos indivíduos, aumentando a complexidade da assistência à saúde. Nosso objetivo foi determinar a prevalência de multimorbidade e fatores associados na população indígena adulta aldeada em Aracruz, Espírito Santo, Brasil. Trata-se de estudo transversal realizado com os dados do projeto Avaliação da Prevalência e Severidade das Doenças Crônicas na População Indígena do Espírito Santos. A coleta de dados foi realizada entre 2020 e 2022. A multimorbidade foi definida pela presença de duas ou mais morbidades crônicas em um grupo de oito morbidades. Como medida de associação, utilizou-se a razão de prevalência (RP) e seu intervalo de 95% de confiança (IC95%), calculados por regressão de Poisson com variância robusta, em modelos bruto e ajustado por covariáveis. A prevalência de multimorbidade foi de 52,1% (IC95%: 49,1-55,2) sendo significativamente maior entre as mulheres (RP = 1,47; IC95%: 1,29-1,67), idade ≥ 40 anos (40-59 anos: RP = 1,49; IC95%: 1,28-1,73; ≥ 60 anos: RP = 1,85; IC95%: 1,55-2,20) e menor para os indivíduos com nível superior de escolaridade (RP = 0,65; IC95%: 0,47-0,89). A prevalência de multimorbidade na população indígena aldeada do ES foi superior à encontrada em outros estudos realizados na população geral brasileira. Houve associação da presença de multimorbidade com sexo, idade e nível de escolaridade.