O estudo analisou expressões do racismo nas experiências de trabalho de Agentes Comunitárias de Saúde negras que atuam nos municípios do Rio de Janeiro e São Gonçalo, por meio de uma pesquisa qualitativa, utilizando a metodologia Grupo Focal. A vocalização das experiências de racismo vividas pelas agentes é representativa tanto do lugar de trabalhadoras quanto de usuárias do Sistema Único de Saúde. Em geral, nos territórios onde atuam e moram, a ausência histórica de políticas públicas é uma das dimensões do processo de determinação social do adoecimento. O racismo estende-se nas múltiplas direções das relações entre usuário(a), trabalhador(a) da saúde e no âmbito da gestão, e se instala nas estruturas institucionais e organizativas de modo a realizar a subordinação dos sujeitos por sua raça/cor. Os achados apontam dois eixos de análise: o primeiro, a respeito da construção de subjetividade sob racismo; e o segundo sobre as vivências de racismo, este último dividido em quatro subitens – questão da autodeclaração e da coleta do quesito raça/cor; as estratégias de embranquecimento; a relação entre raça/ classe; e a ideologia do dominador. Conclui apontando a convergência deste debate com abordagens interseccionais e reconhecendo tanto a dimensão estrutural do racismo quanto a importância de mudanças das práticas cotidianas.
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