O amplo acesso a informações online favorece a busca por conteúdos em saúde. Os objetivos foram identificar o perfil de uso da internet e o grau de dificuldade na busca por informações em saúde por adultos, descrevendo os principais conteúdos buscados e meios utilizados, além de avaliar a associação com características sociodemográficas, médicas e com o grau de letramento em saúde. Inquérito domiciliar realizado em cinco municípios das regiões Sul e Centro-oeste do Brasil. O questionário incluiu dados demográficos, socioeconômicos, uso da internet e grau de letramento em saúde. Realizaram-se análises descritivas e regressão de Poisson para estimar razões de prevalência. Foram incluídos 1.181 indivíduos, sobretudo mulheres, entre 18 e 39 anos, 8 anos ou mais de escolaridade, classe econômica elevada, raça branca, boa autoavaliação de saúde e letramento em saúde problemático. Do total, 92,3% tinham acesso à internet; desses, 77,1% a utilizavam para buscar informações em saúde. Os temas mais buscados foram sintomas (89,1%) e medicamentos (84,5%). As ferramentas mais utilizadas foram Google (94,6%) e YouTube (41,7%). A maioria relatou facilidade para usar palavras corretas (68,6%) e encontrar informações (70,2%), mas dificuldade em avaliar a confiabilidade (44,8%) e aplicar as informações em decisões de saúde (25,9%). Na análise ajustada, maior escolaridade, ser jovem e níveis mais elevados de letramento em saúde foram associados à busca por informações em saúde online. O uso da internet foi amplamente relatado, apesar das dificuldades em avaliar a confiabilidade e aplicar as informações, destacando a necessidade de conteúdos em saúde online de qualidade e acessíveis.