Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O objetivo deste estudo foi determinar a prevalência de insegurança alimentar de comunidades quilombolas marajoaras e os fatores associados. Estudo transversal de base comunitária e abordagem familiar com 434 famílias, localizadas no Município de Salvaterra, Ilha de Marajó, Pará, Brasil, de junho a julho de 2021. Realizou-se inquérito domiciliar com questionário padronizado sobre dados sociodemográficos e o questionário da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar. Para analisar os fatores associados foi utilizada a regressão logística multivariada. A maioria das famílias (88,9%) quilombolas estava em insegurança alimentar, 33,1% (n = 144) em insegurança grave, 21,4% (n = 93) em insegurança moderada e 34,3% (n = 149) em insegurança leve. O modelo de regressão mostrou que não receber aposentadoria dobrou a chance de insegurança alimentar leve e multiplica 5 vezes a insegurança moderada+grave. A renda familiar per capita de menos de 1/5 ou até 1/3 do salário mínimo elevou em 9 e 4 vezes a chance de insegurança moderada+grave, respectivamente. Famílias na classificação econômica B/C tiveram 21% menos chances de apresentar insegurança moderada+grave em relação às com classificação D/E. A insegurança alimentar apresentou alta prevalência em famílias quilombolas, preponderando insegurança moderada+grave. A renda familiar e seus componentes foram o principal fator associado à insegurança alimentar.
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10.1590/0102-311XPT171825
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