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Influência das ondas de calor extremo como agravante na causa de morte por doenças cardiovasculares no Sudeste do Brasil

Cadernos de Saúde Pública (CSP)

As ondas de calor extremo se intensificaram com as mudanças climáticas e representam uma ameaça crescente à saúde cardiovascular. O Brasil, particularmente a Região Sudeste do país, concentra áreas metropolitanas densamente povoadas e é altamente vulnerável aos impactos do aumento das temperaturas na saúde. Este estudo teve como objetivo estimar o excesso de mortalidade por causas cardiovasculares associadas às ondas de calor extremo no Sudeste do Brasil entre 2014 e 2023. Realizou-se uma análise de séries temporais utilizando dados agregados de mortalidade do Departamento de Informação e Informática do SUS e dados meteorológicos do Instituto Nacional de Metereologia. Classificou-se a intensidade da onda de calor por meio do Fator de Calor Excesso e estimou-se o excesso de mortalidade usando razões observadas/esperadas. Realizaram-se análises de correlação entre a temperatura e a mortalidade por hipertensão e doença isquêmica do coração. Onze ondas de calor extremo foram identificadas durante o período do estudo. A mortalidade por causas cardiovasculares coincidiu com as ondas de calor, particularmente entre os idosos e nas maiores regiões metropolitanas. Os resultados indicaram excesso de mortes durante eventos específicos, com um aumento incomum observado no inverno de 2022. As correlações entre a temperatura média e a mortalidade mensal foram fracas ou negativas, reforçando a necessidade de índices robustos, como o Fator de Calor Excessivo, para capturar os impactos dos extremos de calor na saúde. Eventos de ondas de calor no Sudeste do Brasil foram associados a maior mortalidade cardiovascular. Os resultados destacam o calor extremo como um risco relevante para a saúde pública e reforçam a necessidade de sistemas de alerta precoce, estratégias de mitigação direcionadas e políticas de adaptação urbana e ocupacional. Esses resultados demonstram que as ondas de calor extremo agravam significativamente a mortalidade cardiovascular na região mais populosa do Brasil.

DOI
10.1590/0102-311XEN088725
Identificação
Publicado por (Instituto)