As arboviroses são doenças infecciosas causadas por vírus transmitidos por artrópodes. Antes da introdução dos vírus Chikungunya e Zika no Brasil, o vírus Oropouche (OROV) era o segundo arbovírus mais prevalente em humanos, atrás apenas do vírus Dengue. Atualmente, os vírus Mayaro (MAYV) e OROV destacam-se como agentes importantes, principalmente na Região Amazônica. Apesar do seu grande impacto, os casos de OROV e MAYV seguem negligenciados e subnotificados. Este estudo teve como objetivo analisar a distribuição geoespacial dos casos de OROV e MAYV para auxiliar na implementação de medidas de controle. Trata-se de um estudo transversal baseado em dados secundários obtidos via Fala.BR, a partir do Gerenciador de Ambiente Laboratorial e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística sobre febre do Mayaro e febre do Oropouche, incluindo registros laboratoriais e informações populacionais para análise epidemiológica e espacial. Foram analisados 16.571 casos de febre do Oropouche e 379 casos de febre do Mayaro. Os clusters espaciais revelam, para a febre do Oropouche, aglomerados de alta incidência (alto-alto) na Região Norte e no Espírito Santo. Já a febre do Mayaro apresenta clusters alto-alto no Norte e pontos no Centro-oeste. A sobreposição entre o desmatamento da Amazônia e a incidência dos agravos sugere relação espacial. As áreas de maior incidência coincidem com regiões intensamente desmatadas. O crescimento de casos de febre do Mayaro e febre do Oropouche pode estar ligado à descentralização do diagnóstico e à busca ativa em amostras negativas. Os casos se concentram no Norte, onde fatores ambientais e sociais favorecem a transmissão, especialmente em populações vulneráveis. Há indícios de relação da incidência com o desmatamento. A febre do Mayaro também apresenta aparente associação com a degradação ambiental.