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Continuidade do cuidado: relações de confiança e disponibilidade de informações personalizadas na experiência de usuários

Cadernos de Saúde Pública (CSP)

Este artigo analisa a continuidade do cuidado no domínio relacional a partir da experiência de usuários. Foi realizado um estudo de caso qualitativo com base em 45 entrevistas com pessoas que vivem com HIV (PVH) acompanhadas em policlínicas e 38 com usuários com diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS) cadastrados em unidades básicas de saúde (UBS) em um município de grande porte do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Os resultados são analisados a partir de duas dimensões da continuidade relacional: as relações de confiança e a disponibilidade de informações personalizadas. Junto ao médico da equipe de saúde da família (EqSF) e ao infectologista nas policlínicas se estabeleciam as mais fortes relações de confiança e o protagonismo na disponibilização das informações em saúde. Entre as diferenças, para os usuários com HAS, os vínculos foram cindidos pela rotatividade médica. Na vacância de relações com outros profissionais das EqSF, a continuidade e o acesso foram simultaneamente afetados. Entre as PVH, profissionais de enfermagem desempenhavam importante papel no acolhimento. Nos dois casos, os resultados revelaram um cuidado pouco afeito às práticas interprofissionais, ações coletivas e promocionais no fortalecimento da continuidade. A ausência de comunicação intermediada por tecnologias exigia dos usuários idas aos serviços para resolução de suas demandas e contato com os profissionais. Os resultados sinalizam a importância de um ponto regular de cuidado para a consecução do vínculo e a consequente continuidade relacional. Por outro lado, problemas relacionados à gestão do trabalho no Sistema Único de Saúde intensificam a rotatividade profissional e favorecem as rupturas no seguimento terapêutico.

DOI
10.1590/0102-311XEN109524
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