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Prêmio Nobel de Medicina 2020 é concedido a cientistas que pesquisaram vírus da hepatite C

05/10/2020

Confira 10 artigos sobre hepatite C publicados na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz

 
Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Agência Brasil*


Os cientistas norte-americanos Harvey Alter e Charles Rice e o britânico Michael Houghton venceram o Prêmio Nobel de Medicina de 2020 pelo trabalho na identificação do vírus da hepatite C, que causa cirrose e câncer de fígado. Ao anunciar o prêmio, a Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska (Suécia) ressaltou: "A descoberta do vírus da Hepatite C revelou a causa dos casos remanescentes de hepatite crônica e tornou possível testes sanguíneos e novos medicamentos que salvaram milhões de vidas".

Segundo o Ministério da Saúde (MS), a doença pode se manifestar na forma aguda ou crônica, sendo esta segunda a forma mais comum. “A hepatite crônica pelo HCV é uma doença de caráter silencioso, que evolui sorrateiramente e se caracteriza por um processo inflamatório persistente no fígado. Aproximadamente 60% a 85% dos casos se tronam crônicos e, em média, 20% evoluem para cirrose ao longo do tempo. Uma vez estabelecido o diagnóstico de cirrose hepática, o risco anual para o surgimento de carcinoma hepatocelular (CHC) é de 1% a 5% (WESTBROOK; DUSHEIKO, 2014). O risco anual de descompensação hepática é de 3% a 6%. Após um primeiro episódio de descompensação hepática, o risco de óbito, nos 12 meses seguintes, é de 15% a 20% (WESTBROOK; DUSHEIKO, 2014)”.

Ainda de acordo com o órgão, entre 1999 e 2018 foram notificados 359.673 casos de hepatite C no Brasil. “Um modelo matemático desenvolvido em 2016 estimava que cerca de 657 mil pessoas tinham infecção ativa pelo HCV e, portanto, indicação de tratamento”, informa o Ministério. Quanto à prevalência, a maioria das pessoas acometidas pela doença tem mais de 40 anos. Pessoas submetidas a hemodiálise, privadas de liberdade, que usam drogas e vivendo com HIV estão entre as mais vulneráveis à infecção pelo HCV.

Atualmente, são conhecidos seis genótipos do vírus C da hepatite, de acordo com o MS. "O genótipo 1 é o mais prevalente no mundo, sendo responsável por 46% de todas as infecções pelo HCV, seguido pelo genótipo 3 (30%) (MESSINA et al., 2015; OMS, 2016). O mesmo se observa no Brasil, com pequenas variações na proporção de prevalência desses genótipos”.

Para saber mais sobre o tema, confira 10 artigos publicados na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. A lista está organizada a partir do mais recente.

1. Exposure source prevalence is associated with gender in hepatitis C virus patients from Rio de Janeiro, Brazil (vol. 112, n. 9, set/2017)
A caracterização das diferenças nas fontes de exposição entre os gêneros possibilita melhorias nas ações de vigilância. Foram obtidos dados de exposição para 1.180 casos confirmados de HCV no Brasil. O teste Qui-quadrado (χ2) foi usado para avaliar as associações entre fontes de exposição e sexo. A razão de prevalência (RP) foi calculada para exposições que apresentaram associação. Os resultados mostraram diferenças nos comportamentos de risco associados ao gênero entre os portadores de HCV. É provável que esses dados influenciem significativamente a prática clínica quanto à adoção de abordagens específicas de aconselhamento e políticas de controle para prevenir o surgimento de novos casos e interromper a cadeia de transmissão do vírus.

2. Prevalence of hepatitis C virus and human immunodeficiency virus in a group of patients newly diagnosed with active tuberculosis in Porto Alegre, Southern Brazil (vol. 112, n. 4, abr/2017)
Porto Alegre é a capital brasileira com a segunda maior incidência de tuberculose (TB) e a maior proporção de pessoas infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) entre os pacientes com TB. A infecção pelo vírus da hepatite C (HCV) aumenta o risco de hepatotoxicidade induzida por medicamentos anti-TB, o que pode resultar na interrupção da terapia. O objetivo deste estudo foi (i) estimar a prevalência de HCV e HIV em um grupo de pacientes recém-diagnosticados com TB ativa em um hospital público de referência em Porto Alegre e (ii) comparar as características demográficas, comportamentais e clínicas dos pacientes em relação ao seu estado de infecção pelo HCV. Entre as conclusões, destaca-se que o rastreamento do HCV, incluindo a detecção de anticorpos anti-HCV e RNA do HCV, será importante para melhorar o manejo de pacientes co-infectados, devido ao risco aumentado de desenvolver hepatotoxicidade relacionada ao tratamento da TB.

3. Inosine triphosphatase allele frequency and association with ribavirin-induced anaemia in Brazilian patients receiving antiviral therapy for chronic hepatitis C (vol. 110, n. 5, ago/2015)
Os polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) da trifosfatase de inosina (ITPA) estão fortemente associados à proteção contra a anemia induzida pela ribavirina (RBV) em pacientes europeus, americanos e asiáticos. No entanto, há uma escassez de dados para pacientes brasileiros. O objetivo deste estudo foi avaliar a frequência do SNP ITPA (rs7270101 / rs1127354) em pacientes saudáveis ​​e infectados pelo vírus da hepatite C (HCV) no Brasil e a associação com o desenvolvimento de anemia grave durante a terapia antiviral.

4. Spontaneous hepatitis C viral clearance and hepatitis C chronic infection are associated with distinct cytokine profiles in Mexican patients (vol. 110, n. 2, abr/2015)
Os mecanismos relacionados à eliminação espontânea do vírus da hepatite C (HCV) foram estudados principalmente em regiões onde a infecção é endêmica. Resultados de estudos anteriores foram extrapolados para populações com baixa endemicidade, como o México. Aqui, determinamos os perfis de citocinas em amostras de soro de pacientes mexicanos que limparam espontaneamente o HCV e pacientes cronicamente infectados com o genótipo 1a do HCV. O estudo sugere que os perfis de citocinas podem predizer o desfecho da doença durante a infecção pelo HCV.

5. Recombinant hepatitis C virus-envelope protein 2 interactions with low-density lipoprotein/CD81 receptors (vol. 110, n. 4, jun/2015)
A proteína 2 (E2) do envelope do vírus da hepatite C (HCV) está envolvida na ligação viral às células hospedeiras. O objetivo deste trabalho foi produzir proteínas E2B e E2Y HCV recombinantes em Escherichia coli e Pichia pastoris, respectivamente, e estudar suas interações com o receptor de lipoproteína de baixa densidade (LDLr) e CD81 em células endoteliais da veia umbilical humana (HUVEC) e linha de células de carcinoma de bexiga ECV304. Os achados mostram que o E2 atua para ancorar o HCV nas células hospedeiras. Portanto, níveis elevados de LDL no sangue podem aumentar a infectividade viral em pacientes com hepatite C crônica.

6. Quantification of C4D deposition and hepatitis C virus RNA in tissue in cases of graft rejection and hepatitis C recurrence after liver transplantation (vol. 110, n. 1, fev/2015)
A histologia é o padrão ouro para o diagnóstico de rejeição aguda e recorrência da hepatite C após o transplante de fígado. No entanto, o diagnóstico diferencial entre os dois pode ser difícil. Avaliamos o papel da coloração de C4D e da quantificação dos níveis de RNA do vírus da hepatite C (HCV) no tecido hepático. Este foi um estudo retrospectivo de 98 amostras de biópsia hepática divididas em quatro grupos por diagnóstico histológico: rejeição aguda em pacientes submetidos a transplante de fígado para hepatite C (RejHCV +), recorrência de HCV em pacientes submetidos a transplante de fígado para hepatite C (HCVTx +), rejeição aguda em pacientes submetido a transplante de fígado por outras razões que não hepatite C e hepatite C crônica não transplantada (HCVTx-). A quantificação do RNA do HCV no tecido hepático pode se revelar um teste diagnóstico eficiente para a recorrência da infecção pelo HCV.

7. Assessment of immunological changes in Epstein-Barr virus co-infection in Egyptian chronic HCV patients (vol. 109, n. 6, set/2014)
O vírus Epstein-Barr (EBV) desempenha um papel importante na patologia hepática. Semelhante a outros membros da família do herpesvírus, o EBV estabelece uma infecção persistente em mais de 90% dos adultos. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto do EBV e da coinfecção crônica com hepatite C (HCV) nas respostas bioquímicas e imunológicas dos pacientes. O trabalho sugere que a coinfecção por HCV e EBV pode potencializar o amortecimento da resposta imune em pacientes.

8. Prevalence of hepatitis C virus infection among recyclable waste collectors in Central-West Brazil (vol. 108, n. 4, jun/2013)
A prevalência do vírus da hepatite C (HCV) em uma população de catadores de lixo reciclável (n = 431) foi avaliada por meio de inquérito transversal em todas as 15 cooperativas da cidade de Goiânia, Centro-Oeste do Brasil. A prevalência de HCV foi de 1,6% (intervalo de confiança de 95%: 0,6-3,6) e uma história de infecções sexualmente transmissíveis foi independentemente associada a esta infecção. O RNA do HCV (correspondente ao genótipo 1; subtipos 1a e 1b) foi detectado em cinco / sete amostras anti-HCV positivas. Embora a população do estudo tenha relatado um alto índice (47,3%) de acidentes com perfurocortantes e agulhas, a infecção pelo HCV não foi mais frequente em catadores de lixo reciclável do que na população brasileira em geral.

9. Variability and resistance mutations in the hepatitis C virus NS3 protease in patients not treated with protease inhibitors (vol. 108, n. 1, fev/2013)
O objetivo do tratamento da hepatite C crônica é alcançar uma resposta virológica sustentada, que é definida como a exibição de níveis indetectáveis ​​de RNA do vírus da hepatite C (HCV) no soro após terapia por pelo menos seis meses. No entanto, o tratamento atual só é eficaz em 50% dos pacientes infectados com o genótipo 1 do HCV, o genótipo mais prevalente no Brasil. Inibidores da proteína não estrutural 3 da serina protease (NS3) foram desenvolvidos para melhorar as respostas de pacientes infectados com HCV. No entanto, o surgimento de variantes resistentes aos medicamentos tem sido o principal obstáculo para o sucesso terapêutico. O objetivo deste estudo foi avaliar a presença de mutações de resistência e polimorfismos genéticos na região genômica NS3 do HCV de 37 pacientes infectados com o genótipo 1 do HCV não tratados com inibidores de protease. O RNA viral plasmático foi usado para amplificar e sequenciar o gene NS3 do HCV. Os resultados indicam que a tríade catalítica é conservada. Este estudo mostra que mutações de resistência e polimorfismos genéticos estão presentes na região NS3 do HCV em pacientes não tratados com inibidores de protease, dados importantes para determinar a eficácia dessa nova classe de medicamentos no Brasil.

10. Hepatitis C virus quantification in serum and saliva of HCV-infected patients (vol. 107, n. 5, ago/2012)
O vírus da hepatite C (HCV) pode ser detectado no sangue e outros fluidos corporais, como saliva, sêmen e suco gástrico. O objetivo deste estudo foi comparar as cargas virais do HCV no soro e na saliva de pacientes infectados. Vinte e nove pacientes com RNA de HCV detectável em seu soro e saliva foram incluídos neste estudo. As cargas virais de HCV foram determinadas por meio de reações em cadeia da polimerase quantitativas em tempo real. Os níveis médios de RNA viral foram 5,78 log10 cópias no soro e 3,32 log10 cópias na saliva. Os pesquisadores observaram que a carga viral do HCV salivar foi significativamente menor do que a carga viral no soro, e que são necessários mais estudos para compreender o papel da saliva no diagnóstico, tratamento e potencial transmissão do HCV.


*Com informações da Agência Brasil/Reuters e do Ministério da Saúde.

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