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Pesquisadores descobrem nova espécie de inseto em Rondônia

29/11/2019
Pintomyia fiocruzi é o nome dado à nova espécie, em homenagem à Fiocruz, instituição que completará 120 anos em 2020
Por Portal de Periódicos Fiocruz, com informações de José Gadelha | Foto: Acervo Fiocruz RO


Em recente estudo, desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz Rondônia, em parceria com o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), uma nova espécie de flebotomíneos — insetos popularmente conhecidos como mosquito-palha e de grande importância para a saúde pública — foi descoberta em Rondônia. Pintomyia fiocruzi é o nome dado à nova espécie, em homenagem à Fiocruz, instituição que completará 120 anos em 2020.

A nova descrição aumenta para 136 o número de espécies de flebotomíneos, já registradas no estado, e demonstra a diversidade desses insetos na região, sendo importante referencial para novos estudos. Algumas espécies de flebotomíneos são vetores de protozoários que causam a Leishmaniose, doença negligenciada que atinge cerca de 1000 casos anuais, em Rondônia, conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/Ministério da Saúde).

O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Antônio Marques Pereira Junior, Jansen Fernandes de Medeiros e Genimar Rebouças Julião, do Laboratório de Entomologia da Fiocruz RO. Pela Fiocruz Amazônia participaram os pesquisadores Felipe Arley Costa Pessoa e Eric Fabrício Marialva dos Santos, que integram o Laboratório de Ecologia de Doenças Transmissíveis da Amazônia.

A descrição da nova espécie de flebotomíneos para Rondônia foi realizada com base nas características morfológicas das amostras de insetos coletados. Para isso, foram utilizados três indivíduos do sexo masculino, coletados em localidades diferentes, sendo um indivíduo coletado no Parque Estadual de Guajará-Mirim, entre os municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, e outros dois na Floresta Nacional do Jamari, no município de Itapuã do Oeste.

Apesar de pertencer ao grupo de insetos que participam da transmissão da Leishmaniose, não é possível afirmar que a nova espécie de mosquito-palha tem relação com a transmissão da doença, pois ainda serão necessários novos estudos. “A grande contribuição da descoberta está no fato de demonstrar, por meio de um trabalho minucioso, a diversidade de insetos existentes na Amazônia e, desta forma, contribuir para o registro da nossa biodiversidade”, explica o pesquisador Antonio Marques Pereira Junior.

O estudo com a descrição da espécie de flebotomíneo Pintomyia fiocruzi foi publicado na revista Zootaxa, e é uma continuidade de outro trabalho desenvolvido pelo grupo de pesquisadores do Laboratório de Entomologia da Fiocruz RO, que resultou no registro de 4 novas ocorrências de espécies de flebotomíneos, no estado de Rondônia.
 

Fique por dentro do tema
Em artigo publicado este ano pelas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, autores avaliam onde, quando e como o diagnóstico de Leishmaniose foi realizado em um ambiente endêmico no Brasil. Intitulado Where, when, and how the diagnosis of human visceral leishmaniasis is defined: answers from the Brazilian control program, o artigo é assinado pela Universidade Federal de Mato Grosso, a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e a Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal.