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"Não se faz inovação sozinho", diz editora da Revista Fitos

26/07/2021

Confira edição recente e saiba mais sobre o periódico, editado pela Fiocruz desde 2011. A Fitos publica trabalhos de referência em plantas medicinais

Por Valentina Leite (Portal de Periódicos Fiocruz)
Compromisso com a inovação e com a natureza. A Revista Fitos, periódico científico editado pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), é vinculada à Fiocruz desde 2011. Publicada em versão eletrônica desde 2014, é uma revista trimestral voltada para a publicação de trabalhos sobre biodiversidade, saúde e inovação. O 2º número de 2021 já está no ar. A revista também está com chamada aberta para número temático.
 
Funcionando como uma porta-voz de pesquisas sobre plantas medicinais, a revista publica trabalhos de referência que trazem inovações em medicamentos fitoterápicos. "No cenário nacional, a Fitos hoje ocupa um lugar único de trocas e fortalecimento de saberes sobre plantas", pontua a editora científica Maria Helena Durães Monteiro.
 
De acordo com Maria Helena, há alguns anos muitas revistas publicavam na área de plantas naturais. No entanto, hoje este número é menor. "Ao revista tem ganhado espaço no universo da publicação científica justamente por ter um escopo interdisciplinar, que envolve políticas, ciências humanas, diversidade, enfim, conhecimento ampliado em saúde. Esse perfil atrai instituições e pesquisadores de diferentes partes do Brasil e do mundo, além de agentes criadores de políticas em ciência e tecnologia, que valorizam inovações na área", diz.
 
Vinculada a RedesFito, o periódico busca mostrar as diferentes instâncias e atores do processo produtivo de um medicamento. A editora executiva, Rosane Abreu, explica: “Há uma rede de conhecimento para que a inovação em medicamentos possa acontecer: moradores locais, agricultores, pesquisadores brasileiros que trabalham com fitoterápicos, etc. Por exemplo, se um grupo de moradores descobre uma planta que só nasce em determinado lugar e que só tem o seu potencial desenvolvido ali, eles também são atores do processo”, finaliza.
 

Edição atual discute segurança de alimentos, atenção primária e mais
 
O último número da Revista Fitos conta com um total de seis artigos de pesquisa, um perspectiva, dois estudos de caso e uma revisão. Confira, na íntegra, trechos resumidos dos conteúdos publicados:
 
Bioativos vegetais do patrimônio genético brasileiro como alternativa natural para apromoção da saúde e segurança de alimentos
O Brasil é extremamente rico em biodiversidade e a grande variedade de vegetais e microrganismos, presentes nos mais diferentes biomas do nosso país, constitui um valioso material biológico que, se submetido à estudos e pesquisas de qualidade e utilizados de forma sustentável, trazem inovações tanto para o campo da saúde quanto da alimentação. A Lei nº 13.123/2015 - lei da biodiversidade - define “o acesso ao patrimônio genético, proteção e acesso ao conhecimento tradicional associado e, a repartição de benefícios para a conservação e uso sustentável da biodiversidade” de forma a assegurar que os resultados oriundos da exploração da biodiversidade brasileira não sofram evasão indevida e retornem em benefício da nossa população.
 
In vitro antimicrobial activity of Alpinia zerumbet and A. purpurata nonpolar fraction ofleaf extract
Este trabalho avaliou a atividade antimicrobiana in vitro das frações dos extratos brutos hidroalcóolicos das folhas: hexano, diclorometano, acetato de etila e butanólico de Alpinia zerumbet (Pers.) B.L. Burtt et R.M. Sm. e A. purpurata (Vieill) K. Schum (ambas da família Zingiberaceae) pelo método de difusão em ágar gota a fim de triar os principais compostos envolvidos na atividade antimicrobiana. Folhas de A. zerumbet e plantas adultas de A. purpurata foram coletadas e então secas e maceradas em etanol 70%. As frações de diclorometano foram analisadas por cromatografia gasosa/espectrometria de massa (GC/MS). A fração diclorometano exibiu atividade antifúngica promissora contra os seguintes fungos testados: Cryptococcus neoformans, Fonsecaea pedrosoi, Trichophytoon rubrum, Microsporium canis e M. gypseum.
 
Autenticidade de amostras de Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek comercializadas em mercados de São Mateus, ES, Brasil
Autenticidade de amostras de Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek comercializadas em mercados. O presente estudo avaliou a autenticidade de Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek (Celastraceae) “espinheira-santa”, comercializada em mercados de ervas de São Mateus (ES). O estudo foi realizado por meio da caracterização de comparação anatômica foliar de amostras de M. ilicifolia in situ e comercializada. A espécie é nativa da região sudeste do Brasil, se adapta melhor a climas quentes e é utilizada na medicina popular no tratamento de doenças estomacais. Os resultados mostram que as estruturas anatômicas foliares de M. ilicifolia in situ, comparadas com as amostras da Casa Natural e do Mercado Municipal, diferem quanto à disposição dos feixes vasculares na nervura central.
 
Capacidade de formação de biofilme por cepas bacterianas e ação antibiofilme do extrato de Lafoensia pacari (Lythraceae)
O presente estudo buscou quantificar e classificar a produção de biofilme por microrganismos frequentemente encontrados em Infecções Relacionadas a Assistência à Saúde (IRAS) e de linhagens isoladas de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além de testar a atividade antibiofilme do extrato das folhas da Lafoensia pacari. Utilizou-se o método de quantificação de biomassa com cristal violeta e leitura a 570nm. Obteve-se maior produção de biofilme por bactérias do grupo das gram-negativas como Pseudomonas aeruginosa isolada de um colchão e entre as gram-positivas destaca-se a E. faecalis (ATCC 19429).
 
Ethnobotanical study of anti-malarials among communities in the municipal of Portel-PA, Brazil
Este estudo teve por objetivo revisar a literatura e documentar o uso de plantas medicinais, tradicionalmente empregadas pelas comunidades ao longo do rio Aruanã, no município de Portel-PA, para tratamento da malária e sintomas relacionados, base para futuras pesquisas etnofarmacológicas. Embora este seja o primeiro estudo etnobotânico nesta região, o perfil socioeconômico também foi avaliado. Os dados etnobotânicos foram coletados por entrevistas semiestruturadas com 23 participantes, que citaram 29 espécies usadas para prevenir e/ou curar a malária e sintomas relacionados. As plantas medicinais colhidas na natureza e cultivadas em jardins têm sido tradicionalmente usadas para tratar a malária e sintomas relacionados entre as comunidades ribeirinhas.
 
Uso de plantas medicinais por usuários da Atenção Primária à Saúde em Mossoró/RN: contribuição para profissionais prescritores
O objetivo deste trabalho foi analisar o uso de plantas medicinais por usuários da Atenção Primária à Saúde em Mossoró, RN, Brasil. Fez-se um levantamento, por entrevistas, com questionário semiestruturado a 100 participantes. Desses, 84% afirmaram utilizar plantas medicinais, principalmente para afecções do sistema digestivo, respiratório, transtornos mentais e comportamentais. Mencionou-se 54 espécies vegetais. A espécie com maior valor de uso foi Cymbopogon citratus, e transtornos mentais e comportamentais a categoria de maior consenso entre os informantes. A maioria das espécies medicinais relatadas estão descritas em compêndios oficiais, Formulário de Fitoterápicos e Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira. O conhecimento sobre plantas medicinais validadas é útil para os profissionais prescritores na orientação do uso racional e correto de plantas medicinais.
 
Variação intraespecífica na composição e teor do óleo essencial de Lippia thymoides
Esta pesquisa teve como objetivo avaliar possíveis fatores que interferem no teor e composição química do óleo essencial de folhas e flores de Lippia thymoides, planta aromática e medicinal nativa na Caatinga e Cerrado brasileiros. Para determinação do teor de óleo essencial foi empregado aparelho de Clevenger. O óleo essencial obtido foi avaliado por cromatografia gasosa acoplada a espectrômetro de massas. Foi detectada apenas variação interindividual. A análise da composição química do óleo essencial revelou timol, metiltimol e p-cimeno como componentes majoritários. Concluiu-se que a coleta pode ser realizada a qualquer hora do dia, e uma nova coleta pode ocorrer após a recuperação da planta sem comprometer o teor de óleo essencial e sua composição química.
 
Repartição de benefícios à luz da Lei nº 13.123/2015: casos de empresas com acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado
O objetivo deste trabalho foi apresentar um breve estudo sobre a legislação aplicável às atividades de pesquisa e desenvolvimento que utilizam espécies vegetais, trazendo alguns casos de compartilhamento de benefícios e demonstrando sua importância para empresas, universidades e comunidades tradicionais. Foram analisados normas e procedimentos da Lei nº 13.123/2015 e do Decreto nº 8.772/2016. Realizou-se investigação e discussão sobre casos de sucesso na repartição de benefícios. A legislação de acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado, tem relação direta com a repartição de benefícios para as comunidades envolvidas.
 
Comparação dos conhecimentos entre agentes comunitários de saúde de zonas rurais e urbanas sobre o tratamento com plantas medicinais
O objetivo desse artigo foi comparar conhecimentos, conhecer as indicações e utilizações das plantas medicinais por agentes de saúde de zonas rurais e urbanas da cidade de Petrolina, PE. Trata-se de um estudo transversal e descritivo, no qual participaram 84 agentes de saúde de zonas rurais e urbanas do município. Foram realizadas entrevistas individuais com utilização de um questionário semiestruturado. Os resultados mostraram que os agentes atuantes em áreas rurais indicavam e usavam as plantas medicinais com mais frequência, e as plantas medicinais mais citadas pelos participantes foram Lippia alba (Mill.) N.E.Br. Ex Britton & P. Wilson (erva cidreira); Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf (capim santo), Matricaria chamomilla (L.) Rauschert (camomila) e Plectranthus barbatus Andrews (falso-boldo). Apesar da utilização frequente das plantas medicinais, os profissionais pesquisados necessitavam de capacitação em fitoterapia para o uso racional e seguro, como forma alternativa de tratamento.
 
Percepções sobre o uso de plantas medicinais por profissionais de áreas rurais e urbanas em cidade no nordeste do Brasil
O objetivo desse estudo foi saber se os médicos, cirurgiões-dentistas e enfermeiros das unidades de saúde do município de Juazeiro, BA têm o conhecimento e percebem a importância da utilização e das indicações das plantas medicinais e dos fitoterápicos. Trata-se de um estudo transversal, exploratório e descritivo, no qual participaram 56 profissionais de nível superior. Os dados foram obtidos por entrevista individual, em formulário semiestruturado. Adotou-se para a análise estatística, o teste de Pearson qui quadrado, com nível de significância de p<0,05. As plantas mais citadas pelos médicos foram Valeriana officinalis L. e Matricaria recutita L., pelos enfermeiros foram Plectranthus barbatus A. e Passiflora edulis S. e pelos dentistas foram Punica granatum L. e Mentha piperita L. Concluiu-se que os profissionais do município necessitam de capacitação sobre essa alternativa terapêutica.

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