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Hesio Cordeiro e a saúde coletiva: uma homenagem a sua trajetória

09/11/2020

Como homenagem póstuma ao médico, que presidiu a Abrasco, destacamos dois livros sobre a construção deste campo de forma inovadora no Brasil

Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz)

Hesio Cordeiro no VI Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, realizado na Uerj, em 2013 – Foto: Flaviano Quaresma (Abrasco)

Num ano marcado pelo debate sobre a saúde, direitos e democracia, o Brasil perde um dos idealizadores do Sistema Único de Saúde (SUS). O médico, professor e cientista Hesio Cordeiro faleceu aos 78 anos, no último domingo (8/11). Ele foi presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), de 1983 a 1985, destacando-se na articulação política do Movimento pela Reforma Sanitária Brasileira que deu origem ao SUS, um dos maiores e mais complexos sistemas públicos do mundo. Ao lado de Sergio Arouca, Hesio teve atuação destacada na 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986. A Conferência foi um marco que pautou a saúde como dever do Estado, a universalização e a integralidade nos cuidados de toda a população, com ativa participação e controle dos serviços por seus usuários. Esses elementos comporiam o capítulo correspondente na chamada Constituição Cidadã (1988).

Neste contexto, destacamos dois livros da Editora Fiocruz, que mostram a importância da Abrasco na história da saúde coletiva — termo cunhado como “uma invenção brasileira” e um campo que aborda as relações entre conhecimentos, práticas e direitos referentes à qualidade de vida. Conheça as publicações:


Um pioneiro da medicina social no Brasil


Formado, em 1965, em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Hesio teve atuação importante nas discussões da formação política e profissional do campo da medicina. Ele formou gerações de sanitaristas em todo o país. Também atuou em diversos países (como Argentina, Peru, Equador, Venezuela, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, México e República Dominicana), trabalhando como consultor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), de 1971 a 1978.

Ainda durante o regime militar, participou do Simpósio sobre Política Nacional de Saúde, promovido pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, em 1979, quando veio a grande público um dos textos seminais da área, A questão democrática na área da saúde, redigido por Hesio, Reinaldo Guimarães e José Luis Fiori, então organizados no Centro de Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes).

Hesio foi conduzido à presidência da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), no período de 1983 a 1985, destacando-se na articulação política do Movimento pela Reforma Sanitária Brasileira que deu origem ao SUS, um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo.

Foi presidente do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) entre 1985 a março de 1988, quando atuou como um dos articuladores das discussões da saúde no processo constituinte. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concedeu a Hesio o título de doutor honoris causa e de pesquisador-honorário. Ele também recebeu, em 1988, o título de doutor honoris causa da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) por suas contribuições ao movimento sanitário, que culminaram com a implantação do SUS. O momento foi registrado em Medicina social no Brasil: esboço do perfil de um pioneiro (Cadernos de Saúde Pública, vol. 4, n. 3, jul-set/1988). Na ocasião, o ex-presidente da Fundação, Paulo Marchiori Buss (então vice-diretor da Ensp/Fiocruz) abriu a cerimônia, saudando-o com as seguintes palavras:

"Minhas senhoras e meus senhores,
Estamos aqui reunidos para homenagear o médico, o professor, o cientista e o amigo Hésio de Albuquerque Cordeiro. A Hésio Cordeiro o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Escola Nacional de Saúde Pública concedeu por unanimidade o título de máximo reconhecimento que lhe é permitido conceder: o de professor honoris causa desta Escola. Esta titulação e esta cerimônia revestem-se de significado especial pelos méritos inegáveis do nosso homenageado, mas também pelo momento histórico que atravessamos com as perplexidades no terreno político, os sobressaltos no campo econômico, e esta imensa dívida social que ainda temos que resgatar."

Ao trazer esses registros históricos, reconhecemos mais uma vez a trajetória do sanitarista que deixa um legado de valor imensurável. Ao mesmo tempo, convidamos à leitura de páginas que ajudam a iluminar o caminho desafiador da saúde para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

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*Com informações de Ricardo Valverde (Agência Fiocruz de Notícias) e da Abrasco

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