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Fiocruz e UFJF apresentam novas evidências sobre impactos do coronavírus no sangue

23/07/2020

Pesquisadores identificaram processos que correlacionam a ativação de plaquetas à evolução clínica desfavorável e a casos fatais

Um estudo liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em colaboração com hospitais e centros de pesquisa do Rio de Janeiro, traz novas informações que ajudam a entender uma das complicações mais graves e frequentes observadas em pacientes com Covid-19 hospitalizados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Publicado na Blood, principal revista científica internacional na área de hematologia e coagulação, o trabalho volta os olhos para os impactos do vírus no sangue e chama atenção, em especial, para as plaquetas, células fundamentais para o processo de coagulação.

Embora o coronavírus afete principalmente os pulmões, evidências anteriores já haviam mostrado que, nos casos graves, a Covid-19 também altera os processos de coagulação sanguínea. Frequentemente, esses pacientes apresentam uma coagulação exagerada, com formação de agregados de células sanguíneas e proteínas, que são chamados de trombos. A formação de trombos pode interromper a circulação, provocando trombose, infartos ou embolia pulmonar, o que está associado a casos mais graves e, inclusive, a casos fatais.

Assista ao vídeo e entenda como foi o trabalho dos pesquisadores. 

Para ampliar os conhecimentos relacionados ao tema, o Portal de Periódicos Fiocruz destaca um artigo publicado nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz (vol. 115, jun/2020); e, o outro, na revista Visa em Debate (vol. 6, n. 1, fev/2018).

Estudo da Fiocruz e da UFJF demonstra o papel das plaquetas em casos graves de Covid-19

Eugênio Hottz, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) assina o trabalho como primeiro autor. Ele explica sobre os objetivos da pesquisa. “Na beira do leito, os profissionais de saúde estão acompanhando a evolução dos casos graves e atentos aos eventos trombóticos. Nosso estudo se dedicou a entender como, nestes pacientes, o vírus interfere nas etapas iniciais da cascata de processos que deflagram a coagulação. Processos, estes, em que as plaquetas atuam de forma importante”, sintetiza Hottz, que também é pesquisador colaborador do Laboratório de Imunofarmacologia do IOC. Segundo a pesquisadora Patricia Bozza, chefe do Laboratório e coordenadora do estudo, os resultados indicam que a ativação das plaquetas e sua associação com monócitos, com formação de agregados plaquetas-monócitos, são importantes para o disparo da coagulação sanguínea.

Dois apontamentos fundamentais decorrem das novas evidências encontradas pela equipe de Patricia e Eugênio. O primeiro é a possibilidade de que o acompanhamento dos níveis de ativação plaquetária entre pacientes internados possa servir como uma espécie de “sinalizador” de que um determinado indivíduo tem mais chances de evoluir para uma forma desfavorável. Isso pode ser um elemento importante para a tomada de decisão pela equipe médica, com determinadas condutas a serem adotadas. O segundo apontamento decorrente dos achados é que, conhecendo as moléculas envolvidas na adesão entre plaquetas e monócitos durante a infecção pelo novo coronavírus, medicamentos já disponíveis para inibição de plaquetas podem vir a ser testados como alternativas terapêuticas.

Saiba mais sobre o estudo completo aqui.

Acesse artigos publicados nos periódicos Fiocruz e complemente sua leitura!

Modificadores de coagulação visando a principal protease Mpro de SARS-CoV-2 para tratamento com Covid-19: uma abordagem in sílico (Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, vol. 115, jun/2020)
A infecção grave pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) depende do processamento da poliproteína viral, catalisada pela principal proteinase (Mpro). A solução da estrutura SARS-CoV-2 Mpro permitiu a investigação de potenciais inibidores. O trabalho tem o objetivo de fornecer primeiras evidências da aplicabilidade de medicamentos aprovados comercialmente no tratamento da Covid-19. Foram examinamos 4.334 compostos para encontrar potenciais inibidores da replicação de SARS-CoV-2 usando uma abordagem in silico. Os resultados evidenciaram o potencial uso de modificadores de coagulação no tratamento de Covid-19 devido à similaridade estrutural do SARS-CoV-2 Mpro e aos fatores de coagulação humana trombina e fator Xa. Análises in vitro e in vivo são necessárias para corroborar esses resultados.

Utilização de plaquetas e de produtos derivados de plaquetas humanas em terapias avançadas (Visa em Debate, vol. 6, n. 1, fev/2018)
As plaquetas têm um papel central no processo da resposta tecidual à injúria, atuando na hemostasia primária e na coagulação, e liberando de maneira coordenada as moléculas bioativas importantes para a angiogênese e para a regeneração tecidual. O uso clínico não transfusional de produtos derivados de plaquetas, como o Plasma Rico em Plaquetas (PRP), baseia-se na sua habilidade de maximizar o processo de regeneração celular, em lesões com dificuldades de reparo natural. Esta revisão aborda as características e potencialidades do uso clínico de plaquetas e seus derivados e discute seu arcabouço legislativo no contexto brasileiro.

 

Instituição: 
Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)
Autoria: 
Texto: Maíra Menezes (IOC/Fiocruz) com informações do Portal de Periódicos Fiocruz
Vídeo: Serviço de Jornalismo e Comunicação do IOC/Fiocruz
Colaborador(es): 
Coordenação: Raquel Aguiar
Roteiro e edição: Marina Saraiva
Imagens: Josué Damacena e Marina Saraiva
Edição e finalização: Josué Damacena
Arte: Jeferson Mendes
Produção: Maíra Menezes e Vinicius Ferreira
Apoio de produção: Katia Correia Lima
Estágio curricular: Andressa Paranhos

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