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Entre o campo e a cidade: desafios do trabalho no Brasil

13/09/2021

Enquanto editorial da Revista Trabalho, Educação, Saúde fala sobre a uberização do trabalho, a Revista Fitos avalia a geração de renda de famílias camponesas

Por Valentina Leite (Portal de Periódicos Fiocruz)

Seja na cidade ou no campo, a precarização do trabalho é um desafio para o cidadão brasileiro. Motoristas, vendedores ou agricultores familiares - há uma constante demanda para a reorganização na lógica do trabalho e da geração de renda, agravada com a atual crise econômica, política e social em que o país se insere. Leia, na íntegra, análises de dois conteúdos de periódicos Fiocruz sobre o tema:
 

As transformações mais recentes da CLT pela Reforma Trabalhista fez da exceção, a regra: a informalidade toma conta da vida do trabalhador brasileiro. Este é o tema abordado no editorial Uberização: Informalização e o trabalhador just-in-time, publicado este ano na Revista Trabalho, Educação, Saúde.

A premissa do editorial é de que, hoje, assistimos a um novo tipo de informalização do trabalho, a uberização. Ela se apresenta como regra e tendência que permeia o mundo do trabalho de alto a baixo. "É uma nova forma de controle, gerenciamento e organização, que pressiona o mundo do trabalho como realidade ou futuro possível, tornando potencialmente uberizáveis todos trabalhadores e trabalhadoras", pontua a autora, que é do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De acordo com o texto, a uberização não se inicia com a Uber e nem está exclusivamente associada às plataformas digitais. Refere-se mais amplamente à consolidação de um trabalhador desprovido de direitos e garantias,  que está subordinado, controlado centralizadamente e disponível para o trabalho. Sua condição é a de um trabalhador sob demanda, um trabalhador just-in-time. Essa é a realidade de milhares de brasileiros hoje.

Realidade do trabalhador rural

Ao olharmos a realidade rural, a segurança alimentar e a comercialização representam os caminhos para consolidação das famílias no campo. É o que avalia o artigo Geração de renda no assentamento agroecológico Jacy Rocha com venda direta: construção de alternativas sustentáveis, publicado em 2019 na Revista Fitos.

Segundo os autores, a consolidação das famílias camponesas se dá a partir da organicidade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da garantia dos alimentos de qualidade nutricional para as famílias e da geração de renda a partir da venda dos produtos excedentes. Dessa forma, na comercialização dos produtos da agricultura familiar, há a necessidade de construir alternativas comerciais socialmente justas: uma delas é a venda direta, que representa uma importante inovação em termos de comercialização, já que articula grupos urbanos de economia solidária e agricultores ecologistas.

Os autores que assinam o manuscrito são da Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto, do Projeto Assentamentos Agroecológicos, e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP). "Torna-se necessário o aperfeiçoamento dos sistemas produtivos e dos mercados institucionais, a abertura de novos canais de comercialização para inclusão de todas as famílias", apontam.

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