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Editora Fiocruz conquista mais um Prêmio Abeu

03/12/2019

O livro Clínica, laboratório e eugenia: uma história transnacional das relações Brasil-Alemanha foi o grande vencedor na categoria Ciências Sociais. A editora também conquistou menção honrosa na categoria Ciências da Vida 

Por Marcella Vieira (Editora Fiocruz) | Foto: Editora Fiocruz



A Editora Fiocruz conquistou mais um Prêmio Abeu. O livro Clínica, laboratório e eugenia: uma história transnacional das relações Brasil-Alemanha foi o grande vencedor na categoria Ciências Sociais da quinta edição do prêmio, concedido pela Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu). A vitória foi anunciada em cerimônia em São Paulo, no dia 22 de novembro. Lançada em 2018, em coedição com a Editora PUC-Rio, a obra tem autoria de Pedro Muñoz, professor do Departamento de História da PUC-Rio e ex-aluno do Programa de Pós-graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (PPGHCS/COC/Fiocruz). Associado ao tema, o Portal destaca o artigo Eugenia, crise e as incertezas do futuro, do professor e pesquisador Robert Wegner (COC/Fiocruz), recém-publicado na seção Livros e Redes da Revista História, Ciências, Saúde - Manguinhos (vol. 26,  n. 4, out-dez/2019).

Já os segundo e terceiro lugares na categoria Ciências Sociais foram, respectivamente, os livros Joias da floresta: antropologia do tráfico de animais, publicação da Editora da Universidade Federal de São Carlos (EdUFSCar), e Escritos de liberdade: literatos negros, racismo e cidadania no Brasil oitocentista, da Editora da Universidade de Campinas (Unicamp).

Além da primeira colocação, a Editora Fiocruz também conquistou menção honrosa na categoria Ciências da Vida com Arquivo de um sequestro jurídico-psiquiátrico: o caso Juvenal. Escrito por Luciana Brito e lançado em 2018, o livro inaugurou a coleção Bioética e Saúde, que já conta com três obras publicadas.  

Na cerimônia, a Editora Fiocruz foi representada por Cristiani Vieira Machado, vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz), e João Canossa, editor-executivo da Editora. Cristiani participou da entrega do prêmio da categoria Ciências Sociais Aplicadas. Canossa recebeu o prêmio e a certificação de menção honrosa em nome dos autores, que não puderam comparecer ao evento. “Trata-se, sobretudo, da celebração do saber acadêmico, a festa de congratulação da excelência do conhecimento que este imenso Brasil produz e que suas editoras universitárias difundem. Ganha a cultura, ganham os leitores, ganha o país", ressaltou o editor-executivo. 

Mais um prêmio para a coleção da Editora

Desde 2015 a Editora Fiocruz vem marcando presença em todas as edições do Prêmio Abeu. Essa foi a quarta vez em que um título da Editora foi vencedor. Em 2017, a Editora conquistou o primeiro lugar em Ciências da Vida com Brasil Saúde Amanhã: população, economia e gestão. Na edição 2016, Dengue: teorias e práticas foi primeiro colocado também em Ciências da Vida. No ano anterior, primeira edição do prêmio, Cidades saudáveis? Alguns olhares sobre o tema ficou na primeira colocação na categoria Tecnociências.  

Além dos primeiros lugares, a Editora também conquistou, em 2018, a segunda colocação na categoria Ciências Humanas com o livro Novas e velhas faces da violência no século XXI: visão da literatura brasileira do campo da saúde. Na edição 2017, em Ciências da Vida, a obra Amamentação e políticas para a infância no Brasil: a atuação de Fernandes Figueira (1902-1928) ficou em segundo lugar e Tessituras do cuidado: as condições crônicas de saúde na infância e adolescência recebeu menção honrosa. Em 2016, o segundo lugar em Ciências da Vida foi para Três ensaios de bioética

Publicações premiadas

Clínica, laboratório e eugenia:
resultado de amplas pesquisas ligadas à tese de doutorado do autor, o livro traz importante contribuição para o entendimento das relações entre Brasil e Alemanha numa perspectiva histórica transnacional, que tem como foco os entrelaçamentos e a circulação do conhecimento. Enriquecido por material levantado de fontes primárias nos dois países, o estudo investigou as relações no campo da psiquiatria, de 1900 a 1942, interrompidas pela II Guerra Mundial. Neste período, circularam no Brasil os conceitos da psiquiatria, da neurologia e da psiquiatria genética alemãs. O resultado é um livro inovador, que enfoca o trânsito e a circulação dos cientistas em redes construídas em viagens, congressos, cursos e publicações.

O autor é graduado em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O doutorado de Pedro Muñoz na Fiocruz contemplou período sanduíche na Alemanha, na Freie Universität Berlin (Universidade Livre de Berlim), instituição em que ele, atualmente, desenvolve pesquisa de pós-doutorado como visiting scholar. Mesmo de longe, o autor celebrou a conquista: “Eu quero manifestar meus agradecimentos por terem apostado no meu livro. Ser finalista e vencer foi uma alegria indescritível", comemorou.

Arquivo de um sequestro jurídico-psiquiátrico: o livro — que inaugurou a coleção Bioética e Saúde da Editora Fiocruz — analisa a história de Juvenal, homem que ficou mais tempo confinado em um manicômio judiciário no Brasil: 46 anos. Ao analisar o dossiê de Juvenal, abandonado à espera de uma decisão oficial sobre sua experiência, banido do convívio social e do reconhecimento de direitos, a autora se debruçou sobre arquivos para realizar uma análise das práticas discursivas de saber e poder sobre o homem, revelando o funcionamento de uma "máquina de abandono que confiscou a existência de Juvenal”.

Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (com período sanduíche na Universidade de Ottawa, Canadá), Luciana Brito é psicóloga e mestre em Psicologia Clínica e Cultura. A autora é também pesquisadora da Anis (Instituto de Bioética), organização de Brasília voltada para pesquisa, assessoramento e capacitação em bioética na América Latina.

Participação em livro sobre editoras universitárias 

O evento de premiação também foi marcado pelo lançamento do livro Editoras universitárias: estratégias de gestão, organizado pela presidente da Abeu, Rita Virginia Argollo, e pela diretora de Comunicação, Flávia Rosa. 

A Editora Fiocruz contribuiu para a coletânea com o capítulo Uma nova experiência de leitura: a coleção 'Temas em Saúde Interativa' da Editora Fiocruz. O texto tem autoria de Maria Fernanda Marques Fernandes, ex-assessora de comunicação da Editora e atualmente no Museu da Vida da COC/Fiocruz; Phelipe Gasiglia, produtor editorial; Vanessa Freitas, responsável pela área de Marketing e Eventos da Editora, e Letícia Taets, ex-bolsista do Programa de Vocação Científica (Provoc) da Fiocruz. A publicação destaca experiências de sucesso nas editoras universitárias brasileiras e, ao longo de diversos artigos, mostra como essas instituições buscam diferentes soluções para desafios burocráticos, técnicos e administrativos. O livro já pode ser acessado gratuitamente no site da Abeu. Clique aqui para fazer o download.

Prêmio Abeu 

O objetivo do Prêmio Abeu é incentivar a qualificação das edições das casas editoriais universitárias, além de fomentar a produção técnico-científica em relação à excelência dos conhecimentos veiculados pelos livros e à concepção estética das obras. A edição 2019 englobou oito categorias, sendo três finalistas em cada. A novidade deste ano foi a categoria Tradução. A lista completa dos ganhadores e as informações sobre a cerimônia de premiação podem ser acessadas no site.

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