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Brasil
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Da publicação acadêmica à divulgação científica

02/07/2021

Vamos falar sobre divulgação da ciência? É preciso discutir a necessidade atual de tornar o conhecimento científico cada vez mais acessível

Por Cadernos de Saúde Pública

A divulgação científica, enquanto campo de conhecimento e estratégia de ação, vem ganhando importância crescente no mundo. Isso ocorre, em parte, como resposta intuitiva dos cientistas aos movimentos anticiência, mas também e principalmente em virtude da compreensão dos interesses políticos e econômicos relacionados ao questionamento das evidências científicas. É o que opinam os autores do editorial de Cadernos de Saúde Pública de julho, Vinicius Mansur, Clara Guimarães, Marilia Sá Carvalho, Luciana Dias de Lima, Claudia Medina Coeli. Segundo eles, cientistas têm procurado sair dos debates centrados unicamente entre pares, para responderem à necessidade de tornar o conhecimento científico mais acessível.

Eles acrescentam que não se trata apenas de falar com jornalistas e outros grupos e atores da sociedade, mas de enfrentar o dilema entre falar sob o risco de uma possível (e frequente) má interpretação; e de não falar e deixar de aproveitar a oportunidade de fortalecer os laços entre a ciência e os cidadãos.

De acordo com editorial da revista, o neologismo “agnotologia” propõe o estudo das políticas de produção da ignorância e das estratégias de estímulo ao anticientificismo, não como resultado da falta de informação, mas como criação intencional. Criam-se dúvidas sobre os consensos da ciência, baseadas em ditos “especialistas”, apoiadas em apenas um artigo publicado, financiado, possivelmente, pelos interessados em negar as evidências científicas. É o caso, por exemplo, do interesse da indústria do petróleo na negação do aquecimento global.


Divulgar ciência: desafio aceito

Em CSP, as editoras passaram a encarar esses desafios com um trabalho profissional e regular de divulgação científica, desde agosto de 2018, contando com um jornalista por meio período e uma estagiária de Comunicação. Inicialmente, trabalhamos com foco nas redes sociais de CSP já existentes (Facebook Twitter), tendo como objetivos: qualificar, aumentar o volume e garantir a regularidade das postagens; ampliar a interação com os usuários e o relacionamento com perfis estratégicos; e instituir rotina de avaliação mensal a partir de relatórios de desempenho. Em um cenário no qual as plataformas restringem o potencial de visualização das publicações não pagas, todo alcance obtido nas redes de CSP aconteceu apenas de forma orgânica, sem qualquer verba para impulsioná-las. Ainda assim, observamos um crescimento expressivo. De agosto de 2018 até o fechamento deste Editorial, em 19 de maio, houve um salto de 2.459 curtidas para 7.380 (+200%) na página do Facebook e de 420 seguidores para 2.147 (+411%) no Twitter.

Com a aprovação de projeto de CSP no âmbito do Edital de Divulgação Científica lançado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no primeiro semestre de 2019, uma nova frente de atuação foi criada: as oficinas de divulgação científica. A proposta era reunir autores e jornalistas, comunicadores com experiência em redes sociais e grupos de advocacy ligados à temática, visando à formulação coletiva de estratégias de divulgação científica. O projeto previa a realização de três oficinas sobre artigos dos suplementos Saúde das Crianças e Adolescentes Indígenas na América Latina, Redes de Políticas Públicas, Regionalização e Saúde  e Vacinas em Saúde Pública. Somente a oficina sobre saúde indígena pôde ser realizada antes da pandemia.

Atualmente, portanto, a divulgação científica de CSP está estruturada em três frentes: redes sociais, assessoria de imprensa e a produção em vídeo e podcast do programa Entrevista com Autores. A ampla e paulatina expansão da revista nesse campo foi, e ainda é, um processo de aprendizado contínuo baseado em experimentação, monitoramento dos resultados, avaliação, aperfeiçoamento das práticas e análise de tendências externas. Em um cenário de grandes restrições orçamentárias, esse processo foi também um exercício constante de administração dos recursos e da energia a serem investidos em cada iniciativa.

A chegada da pandemia demoliu rapidamente muitos dos gigantescos muros que separavam sociedade e cientistas. O mundo pede respostas da ciência, especialmente do campo da Saúde Pública/Saúde Coletiva, seja em relação a medidas de prevenção individual, a vacinas ou ao impacto da pandemia na segurança alimentar. É preciso aproximar a linguagem dos artigos científicos às do jornalismo, das redes sociais, dos áudios e dos vídeos. Acreditamos que nosso papel é apoiar autores que publicam em CSP a se envolverem cada vez mais nas atividades de divulgação científica. A participação de CSP junto aos autores é uma garantia da qualidade científica que sirva de base para outras linguagens, que levem o conteúdo publicado para além dos especialistas. E por isso pretendemos manter, expandir e aprimorar essas iniciativas.

 

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