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Comunicação de risco e o uso de agrotóxicos no Brasil

18/01/2019

Artigo da Visa em Debate avalia a utilização do termo "agrotóxico" como ferramenta de comunicação de risco, principalmente para agricultores brasileiros

Por Valentina Leite (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Pixabay

 

O Brasil está entre os maiores usuários de pesticidas do planeta. Em números absolutos, quem ocupa a primeira posição é a China, com uso de 1,8 milhão de toneladas de ingrediente ativo por ano. Logo em seguida vêm o Brasil e os Estados Unidos, cada um com aproximadamente 0,4 milhão de toneladas por ano. Considerando o cenário preocupante, a edição mais recente da Visa em Debate (vol. 6, n. 4 - nov/2018) traz artigo assinado por pesquisadores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Universidade de Brasília que debatem a temática.

A intenção do estudo é compreender e discutir os mecanismos de comunicação do risco no uso dos agrotóxicos. Para isso, os autores abordam todo o contexto histórico brasileiro, que levou à incorporação do próprio termo "agrotóxico" na Lei nº 7.802. Há quase 30 anos, em 1989, foi adotada a palavra - que não tem tradução em outras línguas - numa tentativa de diminuir os danos causados por essas substâncias.

No entanto, o artigo mostra dados que indicam a ineficácia dessa medida sobre as práticas de segurança adotadas pelos agricultores: não houve redução das intoxicações e da comercialização desses produtos. Os pesquisadores também comparam as terminologias utilizadas em outros países para essas substâncias, à luz dos fatores que verdadeiramente impactam na redução dos riscos e do uso das mesmas. 

Comunicar para reduzir riscos

Os agricultores de países periféricos, como o Brasil, estão expostos a inúmeros riscos para a saúde. Desde a sua atividade laboral, que depende de fatores climáticos, sazonais e até mesmo cambiais dos cultivos, até os riscos envolvendo a saúde e a integridade física por exposição a produtos químicos perigosos. Diante disso, é preciso que haja uma efetiva comunicação com esses trabalhadores.

De acordo com os autores do artigo, em um processo de comunicação ou troca de informações, os destinatários devem ser capazes de decodificar o significado da informação recebida. "Desvios na compreensão do significado são causados tanto pela falta de habilidade dos destinatários em entender o que se quis dizer, como por mensagens ambivalentes de quem enviou a informação", avaliam.

E é isso que, muitas vezes, acontece com os agricultores brasileiros: a mensagem não é transmitida ou, quando é, isso não acontece da forma mais eficaz. 

Saiba mais sobre o assunto, acessando o artigo completo da Visa: Agroquímicos para controle de pragas no Brasil: análise crítica do uso do termo agrotóxico como ferramenta de comunicação de risco.

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