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Xô, preguiça! CSP traz uma crítica a abordagem da mídia brasileira ao difundir artigo sobre inatividade física

14/12/2018

No ensaio, os autores debatem o uso inadequado da ciência pelo jornalismo

Por Valentina Leite e Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Freepik

 

E o embate ciência versus mídia continua. Em ensaio publicado nos Cadernos de Saúde Pública (vol. 34, n. 12, nov/2018), pesquisadores refletem sobre discrepâncias entre o conteúdo de publicações científicas e o que é difundido por grandes veículos de comunicação. O artigo A preguiça como explicação da inatividade física: comentários e reflexões sobre discrepâncias entre as evidências científicas e o discurso jornalístico avalia por que a preguiça foi o fator atribuído pela mídia nacional para explicar os elevados níveis de inatividade física dos brasileiros.

Os autores Mathias Roberto Loch e Paulo Henrique Guerra citam como exemplo um artigo científico publicado pela revista Nature News and Comment, comparando-o a reportagens da revista Veja e do jornal O Globo, que noticiam: “brasileiros estão entre os mais preguiçosos do mundo” num ranking internacional sobre a prática de atividades físicas.

Eles observam que as matérias da mídia nacional são incoerentes, já que importantes evidências indicam que a inatividade física no tempo livre é determinada por uma série de variáveis. Por exemplo, parece ser mais elevada em mulheres, idosos, negros, pessoas com menor escolaridade, menor renda, menor capital social e em pessoas que vivem em bairros que não possuem espaços para a prática de atividades. Segundo Loch e Guerra, a mídia teria simplificado um problema de saúde pública real e complexo.

Criticando esta abordagem, os autores do ensaio debatem os riscos do uso inadequado da ciência pelo jornalismo, destacando: “Acreditamos que os meios de comunicação em massa, em suas distintas formas de manifestação, têm um papel fundamental na difusão de informações para a sociedade. No entanto, quando essa difusão não é acompanhada de uma devida contextualização, ela pode ser mais negativa do que positiva, principalmente quando constrói ou reforça concepções que são equivocadas, como no caso da ideia da 'preguiça' explicar a inatividade física da população”.

Acesse o artigo na íntegra, gratuitamente, aqui, no Portal de Periódicos Fiocruz.

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