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Viver dignamente: Brasil encara o desafio de garantir e respeitar os direitos das pessoas trans

29/01/2019

No Dia da Visibilidade Trans (29/1), Portal de Periódicos Fiocruz traz dados atuais, vídeo e artigo para ampliar o debate sobre o tema

Há apenas nove dias, em 20 de janeiro, a sociedade brasileira assistiu a mais um crime de ódio, que denuncia a extrema violência contra o corpo, a identidade de gênero, a sexualidade de pessoas trans e – portanto, e não menos importante – à sua integridade física, à saúde, aos direitos garantidos pela Constituição e aos direitos humanos. Caio Santos de Oliveira, de 20 anos, matou a travesti Quelly da Silva (nome social de Genilson José da Silva), de 35 anos, em Campinas (SP). O assassino contou que tirou o coração da vítima, colocando a imagem de uma santa no lugar, e que guardou o órgão em sua casa, além de furtar pertences de Quelly.

E crimes como estes continuam e voltarão a acontecer muito em breve por aqui, já que o Brasil ocupa o topo da lista dos países que mais mata travestis e transexuais no mundo, de acordo com dados da organização não governamental (ONG) austríaca Transgender Europe.


Brasil no topo do ranking de homicídios

Dados da ONG - divulgados pela ONU BR - revelam que a situação do Brasil é gravíssima. De 69 países monitorados pelo projeto austríaco, é o nosso o que registra o maior número absoluto de homicídios de pessoas trans: 938 assassinatos entre 1º de janeiro de 2008 e 31 de dezembro de 2016. A ONG europeia reúne dados de instituições locais, como a Rede Trans Brasil. De um total de 2.343 assassinatos notificados nestes países, 40% aconteceram em território brasileiro. E, de 1.834 mortes nas Américas do Sul e Central, mais da metade (51% dos casos) foram no Brasil.

Segundo a ONU BR, "somente em 2018, a Associação Nacional de Travestis e Pessoas Trans (Antra) registrou 163 homicídios de pessoas trans. Em 2017, esse número atingiu 179. Em levantamento mais amplo também sobre 2017, o Grupo Gay da Bahia identificou 387 homicídios e 58 suicídios LGBTfóbicos no país. Esse é o maior número já registrado pela ONG, que tem documentado esse modo de violência há 38 anos. Além disso, o número representa um aumento de 30% quando comparado às mortes em 2016 (343)".

O Dia Nacional da Visibilidade Trans (29/1) foi criado em 2004, quando um grupo de ativistas participou do lançamento da primeira campanha contra a transfobia, promovida pelo Ministério da Saúde. O objetivo era ressaltar a importância da diversidade e o respeito ao Movimento Trans. Nesta data, que marca a luta destas pessoas por cidadania, o Portal de Periódicos Fiocruz divulga estas informações e traz relatos e estudos com base em pesquisas científicas que contribuem para ampliar o debate sobre transfobia, acesso à saúde e implementação de políticas públicas. Acesse:


Fiocruz no debate contra a transfobia

Respeito às pessoas trans. É o que exige Biancka Fernandes, trabalhadora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), que participa da campanha Fiocruz é diversidade. A iniciativa tem o objetivo de combater todo o tipo de preconceito, reforçando o reconhecimento e o respeito às diferenças. Resultado de questões debatidas pelo Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz, a campanha apresenta histórias e vivências de trabalhadores da instituição e foi produzida pela Coordenação de Comunicação Social da Presidência da Fiocruz (CCS), que integra o Comitê.

Assista ao vídeo: Campanha Fiocruz é diversidade - combate à transfobia


Viver dignamente: artigo dos Cadernos trata das necessidades de saúde de homens trans

Aprofundando a discussão sobre a saúde de pessoas trans, o Portal destaca artigo publicado nos Cadernos de Saúde Pública (vol. 34, n. 10, out/2018). Os autores Diogo Sousa e Jorge Iriart fizeram uma pesquisa qualitativa com homens trans de Salvador (BA). Em sua maioria negros, heterossexuais e com idades entre 20 e 43 anos, os entrevistados tiveram a oportunidade de conversar sobre corpo, hormonização, cirurgia, gênero e assistência em ambulatórios.

Todos os homens trans apontaram a transfobia quando perguntados sobre suas necessidades e demandas de saúde. Os pesquisadores afirmam que a transfobia é "uma faceta antidemocrática que finca limites para a compreensão das possibilidades de ser, definindo com base na patologização, na punição e na violência os cursos de vida que não se estabelecem a partir da cisheteronormatividade".

No artigo, Sousa e Iriart destacam que "Esse arraigado e complexo mecanismo de violência e aversão às pessoas trans dimensiona e organiza os modos como se constituem as práticas de cuidado e as possibilidades de construção das estratégias que permitam aos homens trans alcançar soluções para as suas necessidades e demandas de saúde".

Acesse o artigo: "Viver dignamente": necessidades e demandas de saúde de homens trans em Salvador, Bahia, Brasil

Instituição: 
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Autoria: 
Texto: Flávia Lobato e Valentina Leite (Portal de Periódicos Fiocruz), com informações da ONU BR
Vídeo: Coordenação de Comunicação Social da Presidência da Fiocruz (CCS)
Entrevistada: Biancka Fernandes, trabalhadora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz)

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