Brasil
Acesso à Informação

Um olhar histórico sobre as desigualdades

17/10/2018

Vamos debater ciência e miscigenação, medicina indígena, "racismo silencioso", gênero e equidade à luz da história. No segundo dia da série com o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2018, leia artigos publicados na revista HCS-Manguinhos

Por Valentina Leite (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Wikipedia*

Escrava babá e ama de leite com o menino Eugen Keller na província de
Pernambuco, 1874 (Alberto Henschel)
*

 

Esta semana, o Portal de Periódicos Fiocruz deu início a uma série sobre Ciência para a redução das desigualdades — tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2018. Em seu segundo dia (17/10), apresentamos uma seleção de artigos publicados na revista História, Ciências, Saúde - Manguinhos.

Há debates científicos sobre miscigenação racial, o "racismo silencioso" na Bolívia pós-revolucionária e a questão de gênero em políticas assistenciais. Além disso, destacamos uma entrevista com a doutora em saúde pública Lígia Bahia, que reflete sobre duas vertentes do Sistema Único de Saúde no Brasil, debatendo as noções de equidade e igualdade.

É a ciência que investiga o passado, pensa no presente e transforma a realidade de hoje e do futuro. Acesse, informe-se e compartilhe!
 

Ciência e miscigenação racial no início do século XX: debates e controvérsias de Edgard Roquette-Pinto com a antropologia física norte-americana

No Brasil, o debate sobre miscigenação racial foi um dos assuntos que mais mobilizaram a opinião de cientistas e intelectuais nas primeiras décadas do século XX. Também no contexto internacional, o tema também vinha suscitando inúmeras polêmicas, resultado tanto das teorias eugênicas e do racismo que grassava na Europa e nos EUA desde o século XIX. O artigo analisa a participação do antropólogo brasileiro Edgard Roquette-Pinto no debate internacional envolvendo o campo da antropologia física e as discussões sobre miscigenação racial nas primeiras décadas do século XX.

A emergência da medicina tradicional indígena no campo das políticas públicas

São múltiplas e diversas as vozes que falam sobre medicina tradicional indígena e que contribuem para sua emergência como objeto de políticas públicas. Na condição de categoria discursiva, a medicina tradicional indígena se configura em símbolo polissêmico ao qual são atribuídos diversos significados. Este artigo trata do surgimento da medicina tradicional indígena como objeto de discurso no campo das políticas públicas de saúde indígena. As políticas públicas são apropriadas e indigenizadas pelos povos indígenas, adquirindo novos sentidos e influenciando a reorganização sociocultural do cuidado com a saúde.

Como libertar as pessoas de “práticas abomináveis”: saúde pública e “racismo silencioso” na Bolívia pós-revolucionária

O artigo aborda a relação entre cultura indígena e a modernização da Bolívia. Após assumir o poder em 1952, o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) usou a saúde pública do país como projeto de assimilação cultural, e programas de saúde patrocinados pelo Estado queriam embranquecer culturalmente a população. Este estudo analisa a linguagem dos médicos quando falam dos indígenas para mostrar que, apesar de o regime tentar não definir a população rural em termos raciais, as elites médicas e políticas ainda enxergam os costumes indígenas como um obstáculo ao progresso e um resquício de passado antiquado.

Gênero e assistência: considerações histórico-conceituais sobre práticas e políticas assistenciais

"Muito se tem falado sobre o papel da mulher nas sociedades organizadas, porém tudo o que dela se tem dito é pouco para o que de grande, muito grande mesmo, ela deverá ser no futuro". Aqui, há uma reflexão teórica e histórica a partir da conjunção do conceito de gênero e da noção de assistência. Há uma análise das dimensões políticas dos dois conceitos, problematiza a dicotomia entre político e pré-político (com suas marcas distintivas de gênero) e examina as práticas do cuidar pelo Estado moderno.

Pensar o Sistema Único de Saúde do século XXI: entrevista com Lígia Bahia

Nesta entrevista, Lígia Bahia, professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutora em saúde pública pela Fiocruz, aborda balanços feitos sobre os 25 anos do Sistema Único de Saúde (SUS). Ela analisa seus avanços, impasses e descaminhos, além de posicionar-se criticamente em relação a duas vertentes atuais do SUS: a que o vê como sistema que visa à equidade, e a que enxerga a igualdade como seu objetivo. Também critica as ambivalências em decisões de várias esferas do governo em relação a grandes grupos empresariais e a planos privados de saúde, antagônicos aos ideais do SUS. 


*Alberto Henschel - Coleção G. Ermakoff in ERMAKOFF, George. O negro na fotografia brasileira do Século XIX. Rio de Janeiro: George Ermakoff Casa Editorial, 2004. p. 99. ISBN 85-98815-01-2

Este portal é regido pela Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, que busca garantir à sociedade o acesso gratuito, público e aberto ao conteúdo integral de toda obra intelectual produzida pela Fiocruz.