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Time de HCS-Manguinhos participa do 25º Congresso Internacional de História da Ciência e da Tecnologia

21/07/2017

Editores vão debater assuntos como publicações científicas, internacionalização, financiamento, comunicação científica e acesso aberto

Por Blog de HCS-Manguinhos

 

Os editores da revista HCS-Manguinhos terão uma agenda intensa a partir deste domingo, dia 23 de julho, quando começa o 25º Congresso Internacional de História da Ciência e da Tecnologia. Após a abertura do evento, às 16h, no Centro de Convenções da Bolsa de Valores Centro do Rio, o editor-científico Marcos Cueto (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz) fará a conferência Trajectories and challenges of history of science in Latin America, às 17h.

Cueto traçará um panorama sobre o surgimento e o desenvolvimento da história da ciência e da medicina na América Latina, com ênfase especial no Brasil e na Argentina, e discutirá os problemas e desafios que essa história enfrenta, sugerindo um envolvimento proativo com conceitos que capturam a imaginação dos historiadores em outras áreas do mundo, como “circulação do conhecimento”, “história global” e “sul global”. Segundo ele, este estudo é importante porque o campo foi marcado pela descontinuidade, fragmentação, empirismo e pouca preocupação teórica, em parte como resultado de condições adversas, como intervenções políticas em vidas acadêmicas, fragilidade institucional e pouca comunicação com historiadores de outros países.

Conquistas e desafios das revistas de História da Ciência no Brasil

Na segunda-feira, dia 24 de julho, a mesa 67, 21st century challenges for history of science and history of medicine journals, terá participação de Cueto na primeira seção, às 9h. O editor falará sobre as conquistas e desafios das revistas de História da Ciência no Brasil.

De acordo com ele, desde os anos 1990, o número de revistas e artigos nelas cresceu. Porém, estas revistas diferem na maneira de lidar com desafios de sustentabilidade financeira, profissionalização e internacionalização. Em termos de recursos financeiros, há uma forte tradição na dependência de agências públicas de fomento federais ou estaduais. Esta tradição garantiu conquistas marcantes, como o sistema brasileiro de acesso aberto. Contudo, com a crise econômica e política, alguns dos problemas enfrentados pelos editores estão se agravando.

Segundo Cueto, num momento de cortes drásticos no orçamento da ciência nacional, tem sido necessária uma luta política para manter e aumentar os recursos oficiais destinados à área de história. Também tem sido uma oportunidade para incentivar o debate sobre como autores, comunidades científicas e doadores privados sustentam a continuidade do modelo brasileiro de acesso aberto.

Outro ponto é a profissionalização precária. Por exemplo, o corpo editorial da maioria das equipes é pequeno e pouco reconhecido. Além disso, revela Cueto, os autores prestam pouca atenção ao preparo dos manuscritos e tendem a rejeitar trabalhos como revisores de manuscritos e de livros. O resultado é um sistema oficial de ciência que não reconhece a revisão acadêmica como trabalho acadêmico. Em termos de visibilidade e impacto internacionais, o editor conta que, equivocadamente, acreditou-se que a tradução de mais artigos para o inglês e a atração de autores estrangeiros seriam soluções fáceis. A apresentação discutirá tais problemas concentrando-se nas respostas inovadoras experimentadas pela revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos nos últimos anos.

Publicações científicas na América Latina e o caso SciELO

Ainda na segunda, dia 24 de julho, na mesa que começa às 15h30, a editora executiva da HCSM, Roberta Cardoso Cerqueira (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz), abordará as publicações científicas na América Latina, com foco no caso do SciELO. Ela explica que, no século XX, as revistas acadêmicas consolidaram sua posição como principais canais de disseminação da produção científica. Com o advento da internet, os periódicos científicos fizeram mudanças ao longo das últimas duas décadas, afetando a forma de submissão dos artigos e permitindo o crescimento de publicações que só existem online. Neste mesmo período, desenvolveu-se uma tendência pela incorporação de revistas por grandes editoras, principalmente nos EUA e na Europa.

De acordo com Roberta, na Era Digital, editoras como Reed-Elsevier e Springer tomaram a liderança do campo da publicação científica. Na América Latina , o movimento pelo acesso aberto levou à criação do portal SciELO, que teve grande impacto na forma de comunicação científica na região e se transformou num marco histórico para a publicação científica na América Latina. Criado em 1998, o SciELO é mantido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e foi criado com o objetivo de oferecer uma amostra da produção científica brasileira, mas com o tempo incorporou revistas de outros 15 países – Portugal, Espanha e África do Sul, além dos países da América Latina e Caribe. Os artigos são publicados em acesso aberto ouro (gold open access).

Roberta destaca que o financiamento da produção científica na América Latina é feito de forma muito diferente à da Europa e América do Norte. Na América Latina, as revistas dependem do apoio do governo, uma vez que não há tradição de doações privadas nessa área. Na apresentação, a editora-executiva de HCS-Manguinhos falará dos desafios da publicação científica no Brasil com ênfase em revistas de humanidades e história e da luta para se manter a política de acesso aberto e o desenvolvimento do projeto SciELO.

Da mesa das 17h15, coordenada por Marcos Cueto, participarão Simon Chaplin (Wellcome Trust), com o tema Rethinking academic publishing – a funder’s perspective, e Luciana Costa Lima Thomaz e Silvia Waisse (Cesima/PUC-SP), com o tema Open-access and multi-lingualism: 10-year experience.

Na terça, dia 25 de julho, Cueto coordenará a mesa das 10h45, Transnational knowledge during the Cold War: the case of the Life and Medical Sciences II.


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Comentários

Excelente Artigo