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Saúde pública enfrenta o desafio da não vacinação infantil

Em diversos países, pessoas de maior renda e escolaridade resistem a imunizar crianças, provocando questionamentos sobre os limites entre o direito individual e coletivo à saúde

04/04/2017
Por Ensp/Fiocruz | Foto: Pixabay

Recusa à vacinação: decisões individuais podem ameaçar a saúde coletiva
 

O editorial da revista Cadernos de Saúde Pública (vol. 33, n. 2), disponível on-line, coloca em pauta a não vacinação infantil como desafio para a saúde pública em diversos países. Apesar de a vacinação ser mundialmente reconhecida por autoridades sanitárias e a comunidade médica como importante intervenção preventiva com impacto na redução da morbimortalidade de doenças imunopreveníveis (a exemplo da erradicação da varíola e significativa redução dos casos de poliomielite no mundo), pessoas de camadas de maior renda e escolaridade têm hesitado e resistido às vacinas. Segundo o texto, "No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado na década de 1970, alcançou altos níveis de cobertura vacinal, levando à eliminação da poliomielite no país em 1989 e ao controle de várias doenças como sarampo, tétano neonatal, difteria, tétano acidental e coqueluche. Estudos recentes de cobertura vacinal infantil, no entanto, também têm apontado para a diminuição da taxa de vacinação nos estratos socioeconômicos mais elevados. Nesse contexto, observa-se a reemergência de doenças antes controladas, a exemplo dos surtos de sarampo que atingiram a Califórnia, Estados Unidos, em 2014, e que têm se intensificado no Brasil desde 2011".

De acordo com o editorial, pesquisadores, principalmente das Ciências Sociais, têm buscado compreender as causas da não vacinação, partindo do pressuposto de que estes fatores têm íntima relação com o contexto cultural, com as diferentes percepções de risco e sua relação com a desigualdade social e solidariedade. “A decisão de vacinar ou não os filhos, expõe a tensão entre o individual e o coletivo. Por conta do efeito biológico da imunidade de grupo, que reduz a incidência e a taxa de transmissão de doenças em uma dada população, a vacinação protege também aqueles que não se vacinaram. Na contemporaneidade, caracterizada pelo crescente individualismo, demanda por autonomia, liberdade de escolha e aversão ao risco, a saúde passa a ser pensada como uma questão de responsabilidade individual. A mídia, sobretudo a internet, tem se tornado cada vez mais uma fonte de informação utilizada pelas pessoas para tomar suas decisões em relação à saúde”.

Por outro lado, diz a publicação, pesquisadores, na Europa, apontam a desconfiança em médicos, fontes governamentais e indústria farmacêutica como razões para a hesitação com relação à vacinação. “Frente a essas questões, a compreensão das diferentes culturas de percepção de risco e as motivações dos pais para vacinar ou não seus filhos são fundamentais para se enfrentar o desafio da prevenção que é colocado para a saúde coletiva”, finaliza o editorial.

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